16/Sep/2026
A recuperação dos preços do arroz nas últimas semanas reduziu a perspectiva de queda da produção brasileira na safra 2026/27, mas não deve evitar uma retração da oferta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta colheita de 10,76 milhões de toneladas, redução de 2,9% ante a temporada anterior, enquanto os estoques finais devem recuar 22,5%, de 1,81 milhão para 1,40 milhão de toneladas. A reação das cotações ocorreu após um período de forte pressão sobre os produtores. Na safra 2024/25, o Brasil produziu 12,76 milhões de toneladas de arroz, volume que ampliou o excedente disponível e pressionou os preços ao longo de 2025/26. As cotações começaram a se recuperar no fim de julho e voltaram a superar o preço mínimo, melhorando a atratividade do plantio, embora as margens ainda não tenham retornado integralmente a níveis considerados satisfatórios. O aumento dos preços contribui para limitar a retração da área cultivada.
A Conab estima 1,53 milhão de hectares de arroz em 2026/27, alta de 0,9%. A expansão, porém, não deverá compensar a queda da produtividade média, projetada em 3,7%, para 7.032 quilos por hectare. No Rio Grande do Sul, principal Estado produtor, a expectativa ainda é de redução da área cultivada. O cenário de produtividade incorpora maior cautela em função das condições climáticas. O El Niño representa um risco adicional para a oferta em 2027, especialmente na Região Sul, onde o excesso de chuvas pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras. A possibilidade de menor rendimento já influencia as decisões de plantio e comercialização de parte dos produtores. A menor produção também deverá reduzir o excedente disponível para exportação. A Conab projeta embarques de 1,66 milhão de toneladas em 2026/27, ante 1,95 milhão de toneladas na temporada anterior, queda de aproximadamente 15%.
As importações são estimadas em 1,30 milhão de toneladas, enquanto o consumo doméstico deve alcançar 10,8 milhões de toneladas. Mesmo com a redução dos estoques, o volume projetado para o fim de 2026/27 ainda é considerado suficiente para oferecer margem de segurança ao abastecimento. As 1,40 milhão de toneladas previstas permanecem quase três vezes acima das 497 mil toneladas registradas ao final da safra 2023/24. A redução do excedente tende a melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda e dar maior sustentação às cotações, embora os custos elevados de produção e as margens ainda estreitas permaneçam como fatores de atenção para o setor. O balanço para 2026/27, portanto, aponta para menor oferta e estoques mais ajustados, mas ainda em nível confortável. A recuperação dos preços limita a retração da área, enquanto o risco climático, especialmente associado ao El Niño no Sul, mantém elevada a incerteza sobre a produtividade e a disponibilidade final do cereal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.