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16/Sep/2026

Preços globais do arroz sobem com riscos climáticos

Os preços mundiais do arroz voltaram a subir moderadamente em agosto, embora com comportamentos distintos entre as principais origens exportadoras. Globalmente, as cotações atingiram o maior nível desde fevereiro de 2025, com as altas mais expressivas concentradas no Vietnã e movimentos mais moderados na Índia. Em sentido contrário, Paquistão e Tailândia registraram queda dos preços. Nos Estados Unidos, as cotações de exportação avançaram em consequência da menor produção, associada à redução significativa da área plantada na safra 2025/26. No Mercosul, os preços permaneceram firmes, refletindo a queda da produção em 2026.

O cenário climático amplia as preocupações para as próximas safras. As chuvas abaixo do normal associadas ao fenômeno climático El Niño afetam as perspectivas de produção nas principais regiões produtoras da Ásia, responsáveis por mais de 90% da produção mundial de arroz. Na América do Sul, o fenômeno também representa risco para as safras 2026/27, especialmente pela possibilidade de excesso de chuvas e inundações. A produção mundial deverá recuar 1,9%, enquanto o comércio internacional em 2027 poderá crescer 1,2%, impulsionado por maior demanda no Sudeste Asiático, movimento que compensaria parcialmente a redução das compras da África e do Oriente Médio.

Na Índia, os preços subiram 1,5% em agosto, alcançando o maior nível em um ano. As condições climáticas geram preocupação para as próximas safras, diante de chuvas abaixo do normal, apontadas como as menores em 20 anos. Apesar da alta, o arroz indiano continua entre os mais competitivos do mercado internacional. As exportações indianas nos primeiros seis meses do ano foram estimadas em 12,27 milhões de toneladas, aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em agosto, o arroz branco indiano 5% registrou preço médio de US$ 364,00 por tonelada FOB, ante US$ 359,00 por tonelada em julho. O arroz parboilizado avançou para US$ 370,00 por tonelada, contra US$ 356,00 por tonelada em julho. Em setembro, as cotações indianas permanecem firmes, sustentadas pela competitividade da origem e pelas preocupações com a oferta futura.

Na Tailândia, os preços recuaram moderadamente em agosto, principalmente em função da valorização do baht frente ao dólar. Apesar disso, as cotações permanecem firmes diante da demanda constante do Sudeste Asiático, especialmente da Malásia e das Filipinas. Também foram registradas novas consultas de compra do Iraque, com possibilidade de embarques por via marítima através da Turquia e da Jordânia. As novas safras tailandesas, cuja chegada ao mercado está prevista entre meados de outubro e dezembro, deverão sofrer menor impacto do El Niño. Mesmo assim, as exportações acumuladas nos primeiros sete meses do ano permanecem 9% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Em agosto, o arroz tailandês Thai 100% B foi cotado a US$ 462,00 por tonelada, ante US$ 465,00 por tonelada em julho, enquanto o parboilizado caiu de US$ 464,00 por tonelada para US$ 461,00 por tonelada. O arroz quebrado A1 Super apresentou retração mais acentuada, de US$ 395,00 por tonelada para US$ 369,00 por tonelada. Em setembro, os preços permanecem firmes devido à oferta mais limitada.

No Vietnã, os preços de exportação subiram entre 4% e 6% em agosto. As incertezas relacionadas ao El Niño mantêm os exportadores atentos à evolução da demanda das Filipinas, principal mercado comprador do país. As exportações destinadas às Filipinas aumentaram 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em agosto, o arroz Viet 5% foi cotado a US$ 438,00 por tonelada, ante US$ 424,00 por tonelada anteriormente, enquanto o Viet 25% alcançou US$ 410,00 por tonelada, contra US$ 388,00 por tonelada. Em setembro, as cotações apresentam tendência de baixa, indicando alguma perda de força após a valorização observada em agosto.

No Paquistão, os preços recuaram 1,5% em agosto, pressionados pela redução da demanda do Oriente Médio. O mercado, contudo, mantém expectativa de novas compras do Irã nas próximas semanas. As exportações paquistanesas acumulam atraso de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O arroz Pak 5% foi negociado a US$ 403,00 por tonelada em agosto, ante US$ 409,00 por tonelada em julho. Em setembro, as cotações apresentam maior firmeza, apoiadas pela expectativa de recuperação da demanda.

Nos Estados Unidos, os preços do arroz avançaram 3% em agosto, mesmo em um mercado de menor atividade e com estoques ainda considerados satisfatórios. As exportações foram estimadas em 155 mil toneladas em base beneficiado, ante 177 mil toneladas em julho, permanecendo estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior. O México continua como principal destino, absorvendo 20% das exportações norte-americanas, seguido pelo Japão, com 19%, e pelo Haiti, com 12%. O preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 nos Estados Unidos alcançou média de US$ 551,00 por tonelada em agosto, ante US$ 535,00 por tonelada em julho. Em setembro, a cotação permanece firme em US$ 570,00 por tonelada. A menor produção projetada para a safra 2025/26 contribui para sustentar os preços, mesmo diante de um mercado externo menos ativo.

No Mercosul, os preços de exportação apresentaram, em geral, comportamento de alta em agosto. A redução dos estoques disponíveis para exportação aumenta a pressão sobre as cotações, enquanto os riscos climáticos associados ao El Niño podem influenciar as decisões de plantio para a safra 2027/28 e comprometer a disponibilidade futura para o mercado externo. No Brasil, o preço indicativo do arroz em casca avançou 15% em agosto, para US$ 288,00 por tonelada, ante US$ 251,00 por tonelada em julho. Em setembro, a cotação continua firme e alcança US$ 310,00 por tonelada. A valorização brasileira ocorre em um ambiente de menor disponibilidade exportável e de preocupação com os impactos climáticos sobre a próxima produção, fatores que podem limitar a oferta destinada ao mercado internacional.

Na África Subsaariana, as oscilações dos preços internos permanecem moderadas, favorecidas pelo abastecimento regular de arroz proveniente da Ásia. Ao mesmo tempo, novas medidas de restrição às importações, adotadas com o objetivo de estimular a produção local, poderão reduzir os volumes importados em 2026. A perspectiva de safras domésticas favoráveis também contribui para limitar a necessidade de compras externas. Apesar desses fatores, a África Subsaariana continua sendo o principal polo importador mundial de arroz, respondendo por 36% do comércio internacional. A evolução das políticas de importação da região será determinante para o balanço global, especialmente diante da expectativa de menor produção mundial e de aumento da demanda no Sudeste Asiático.

O mercado internacional entra, portanto, em uma fase de maior sensibilidade às condições climáticas. A produção mundial projetada para 2026/27 deverá cair 1,9%, enquanto a concentração de mais de 90% da oferta na Ásia torna o comportamento das chuvas e a intensidade do El Niño fatores centrais para a formação dos preços. No Mercosul, o risco de queda de produtividade e a redução dos estoques exportáveis reforçam a sustentação das cotações, enquanto a manutenção de demanda elevada no Sudeste Asiático pode ampliar a disputa pela oferta disponível. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.