16/Sep/2026
Segundo as últimas estimativas da FAO, a produção mundial de arroz deverá recuar 1,9% na safra 2026/27, para 833,2 milhões de toneladas em base casca, retornando ao nível registrado em 2024. a produção mundial em 2025 aumentou 1,9%, alcançando o recorde de 849,6 milhões de toneladas em base casca, equivalente a 564,0 milhões de toneladas em base beneficiado, ante 833,8 milhões de toneladas em 2024. A retração projetada para o próximo ciclo está associada principalmente à seca nas regiões produtoras da Ásia após o retorno do fenômeno climático El Niño e ao aumento dos custos de produção, que tende a estimular a redução das áreas cultivadas. O recorde de 2025 refletiu, principalmente, o desempenho das lavouras asiáticas pelo terceiro ano consecutivo. Na Índia, a produção cresceu 1,7%, apesar das condições climáticas contrastantes, enquanto Bangladesh e Indonésia também registraram aumento da oferta, favorecidos pela expansão das áreas cultivadas.
A produção da China se recuperou, mas em ritmo mais moderado, com alta de 0,6%. Índia, Bangladesh, Indonésia e China foram os principais responsáveis pelo crescimento da produção mundial em 2025. Em sentido contrário, a produção de arroz diminuiu na África Subsaariana e nos Estados Unidos. No mercado norte-americano, a retração esteve relacionada às enchentes registradas nas regiões produtoras do Sul. No Mercosul, após a recuperação observada na safra anterior, a produção voltou a recuar, com destaque para a queda registrada no Brasil. Para 2026/27, a expectativa de menor produção global aumenta a sensibilidade do mercado às condições climáticas, especialmente nas principais regiões produtoras da Ásia. O comércio mundial de arroz também apresentou crescimento em 2025. As transações internacionais aumentaram 2,5%, para 61,6 milhões de toneladas, ante 60,1 milhões de toneladas em 2024. O comportamento da demanda foi desigual entre os principais mercados importadores.
No Sudeste Asiático, a demanda externa se contraiu, especialmente na Indonésia, que praticamente deixou de participar do mercado de importação em 2025, em contraste com o comportamento observado em 2024. Nas Filipinas, as importações de arroz diminuíram 35%, após o período de suspensão das compras externas durante o último trimestre de 2025. Na China, entretanto, as importações aumentaram 75%, estimuladas pelos baixos preços internacionais. O principal fator de sustentação do comércio mundial em 2025 foi a demanda africana. A África Subsaariana permanece como o maior polo importador mundial de arroz e elevou suas compras externas em 12% em relação a 2024. Para 2026, as últimas projeções indicam retração de 1,9% do comércio mundial, para 60,5 milhões de toneladas. Apesar da redução, o volume permanecerá elevado em termos históricos, sustentado pela demanda do Sudeste Asiático e pela recuperação das importações na América Latina.
A menor oferta mundial projetada para 2026/27 poderá limitar a disponibilidade para exportação, mas o nível elevado dos estoques deverá funcionar como fator de amortecimento sobre eventuais déficits regionais. Os estoques mundiais de arroz registraram forte aumento no final de 2025, de 5,6%, alcançando 211,7 milhões de toneladas, ante 200,4 milhões de toneladas em 2024. Na China, as reservas cresceram 1%, para 102 milhões de toneladas. O país continua concentrando quase metade dos estoques mundiais, volume equivalente a aproximadamente 70% de seu consumo interno. Na Índia, os estoques aumentaram novamente, em 10% ante a safra anterior, favorecidos pelo crescimento da produção. Os estoques dos principais países exportadores totalizaram 74 milhões de toneladas em 2025, representando quase 35% das reservas mundiais. Para 2026, as últimas estimativas indicam novo aumento dos estoques globais, de 4,5%, para um recorde de 221,1 milhões de toneladas. Esse volume equivaleria a aproximadamente 40% do consumo mundial de arroz, ou 4,8 meses de consumo.
A trajetória, contudo, tende a se inverter em 2027. As primeiras projeções apontam redução de 2,7% dos estoques mundiais, para 215,1 milhões de toneladas, em consequência da queda prevista da produção mundial na safra 2026/27. O balanço global, portanto, deverá permanecer confortável no curto prazo, com estoques elevados e cobertura equivalente a vários meses de consumo, mas a redução da produção e das reservas a partir de 2027 aumenta a importância das condições climáticas e da evolução da área plantada nos principais países produtores. O mercado mundial de arroz entra, assim, em uma fase de maior atenção ao equilíbrio entre oferta e demanda. O recorde de produção de 2025 e o aumento dos estoques oferecem suporte à disponibilidade global, mas a combinação entre El Niño, seca na Ásia, custos elevados e possível redução da área cultivada poderá limitar a produção em 2026/27. A manutenção de estoques próximos dos níveis recordes deverá evitar uma ruptura imediata da oferta, mas a tendência de queda projetada para 2027 reduz gradualmente a margem de segurança do mercado internacional. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.