21/Aug/2026
O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, recuou para 10,8% em julho de 2026, menor nível do indicador geral em 12 meses. A queda foi de 0,7% ante junho, quando o índice estava em 11,5%, segundo levantamento da Neogrid. A redução ocorreu na maior parte das categorias básicas monitoradas, com queda na indisponibilidade de ovos, leite UHT, café, arroz, açúcar e feijão. Na direção oposta, o papel higiênico registrou aumento de 1,8% no índice de ruptura, de 14,1% para 15,9%. O indicador foi divulgado em um cenário de consumo ainda pressionado. O IPCA-15 avançou 0,06% em julho e acumulou 4,5% em 12 meses. O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) apontou queda real de 1,4% no faturamento do varejo em julho, na comparação anual. A redução da ruptura indica recomposição da cadeia de abastecimento, com melhora na previsão de demanda pelo varejo e maior agilidade da indústria na resposta às mudanças no comportamento de compra.
Ao mesmo tempo, a queda das vendas reais e a pressão sobre o orçamento das famílias, decorrente da inflação acumulada, contribuem para um ritmo mais cauteloso de compras e menor velocidade de giro dos estoques. Entre os produtos com maior redução da ruptura, os ovos passaram de 27,8% para 22,4%, queda de 5,4%. O leite UHT recuou de 13,8% para 11,4%, redução de 2,4%. O café passou de 9,4% para 7,4%, queda de 2,0%, enquanto o arroz recuou de 11,0% para 9,5%, baixa de 1,5%. O índice do açúcar caiu de 9,4% para 8,5%, redução de 0,9%, e o feijão passou de 8,3% para 8,1%, queda de 0,2%. A redução da ruptura de ovos ocorreu em um cenário de estoques elevados nas granjas e consumo equilibrado durante o período de férias escolares, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP). O preço médio da embalagem com seis unidades caiu de R$ 7,03 para R$ 6,80 em julho.
No leite UHT, a menor indisponibilidade do produto ocorreu simultaneamente à alta dos preços. O valor médio do leite UHT integral subiu de R$ 6,08 para R$ 6,20, enquanto o semidesnatado passou de R$ 6,26 para R$ 6,42 por litro. Dados do Cepea apontam alta acumulada de 33,1% no preço do leite cru captado pelos laticínios no primeiro semestre. No papel higiênico, a alta da ruptura foi associada à menor disponibilidade de estoques. Apesar do aumento pontual da oferta de celulose de fibra longa em julho, o volume acumulado global nos primeiros cinco meses de 2026 ainda apresentou queda de 3,7% ante igual período de 2025. Os preços médios do papel higiênico também aumentaram em julho. A embalagem de folha simples passou de R$ 10,82 para R$ 10,85, a de folha dupla subiu de R$ 18,34 para R$ 18,42 e a de folha tripla avançou de R$ 23,22 para R$ 23,39. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.