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17/Aug/2026

Comércio mundial do arroz deve recuar em 2026

Segundo as últimas estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção mundial de arroz em 2025 aumentou 1,9%, atingindo recorde de 847 milhões de toneladas, equivalente a 562,3 milhões de toneladas base beneficiado, ante 831,4 milhões de toneladas em 2024. O resultado reflete o desempenho favorável das safras asiáticas pelo terceiro ano consecutivo. A Índia registrou aumento de 1,7% na produção, apesar das condições climáticas contrastantes. Bangladesh e Indonésia também apresentaram crescimento, favorecidas pela expansão das áreas cultivadas. A produção da China avançou 0,6%. Índia, Bangladesh, Indonésia e China foram os principais responsáveis pelo aumento da produção mundial em 2025. Em sentido contrário, a produção de arroz caiu na África Subsaariana e nos Estados Unidos. No mercado norte-americano, a redução foi provocada pelas enchentes nas regiões produtoras do Sul.

No Mercosul, a produção aumentou 20%, com destaque para o desempenho do Brasil. Para a safra 2026/27, a FAO projeta queda de 1,8% na produção mundial, para 832,2 milhões de toneladas. A redução deve ser provocada principalmente pela seca prevista nas regiões produtoras da Ásia com o retorno do fenômeno El Niño, além do aumento dos custos de produção e da provável redução das áreas cultivadas com arroz. O comércio mundial de arroz aumentou 1,6% em 2025, para 61,1 milhões de toneladas, ante 60,1 milhões de toneladas em 2024. O crescimento foi moderado pela retração da demanda no Sudeste Asiático, especialmente na Indonésia, que praticamente não participou do mercado de importação em 2025, diferentemente de 2024. Nas Filipinas, as importações diminuíram 15%, após o período de suspensão das compras externas durante o último trimestre de 2025.

Na China, por outro lado, as importações aumentaram 35%, impulsionadas pelos baixos preços internacionais. A principal sustentação do comércio mundial em 2025 veio da demanda africana. A África Subsaariana permanece como o maior polo importador mundial e elevou em 15% as compras externas de arroz em comparação com 2024. Para 2026, as últimas projeções apontam queda de 2,1% no comércio mundial, para 59,8 milhões de toneladas. Apesar da retração, o fluxo internacional permanece elevado, sustentado pela demanda da África Subsaariana e pela retomada das importações da América Central e do Caribe. Os estoques mundiais de arroz ao final de 2025 aumentaram 5,3%, para 210,5 milhões de toneladas, ante 199,8 milhões de toneladas em 2024. Na China, as reservas cresceram 1%, para 102 milhões de toneladas. A China continua concentrando quase metade dos estoques mundiais, volume equivalente a 70% do seu consumo interno.

Na Índia, os estoques aumentaram 12% em relação à safra anterior, acompanhando a nova recuperação da produção. As reservas dos principais países exportadores também cresceram e atingiram 70 milhões de toneladas em 2025, volume equivalente a aproximadamente um terço dos estoques mundiais. Para 2026, as estimativas indicam novo aumento de 4,6% nos estoques mundiais, que podem atingir o recorde de 220,0 milhões de toneladas. Esse volume corresponderia a 40% do consumo mundial de arroz, equivalente a aproximadamente 4,8 meses de consumo. Para 2027, as primeiras projeções apontam redução de 2,7% nos estoques, em consequência da expectativa de queda da produção mundial na safra 2026/27. O balanço global tende, portanto, a apresentar maior pressão sobre a oferta ao longo do próximo ciclo, especialmente diante dos riscos climáticos associados ao retorno do El Niño nas principais regiões produtoras da Ásia. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.