ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

20/Jul/2026

Preços globais do arroz estão sustentados em julho

Os preços internacionais do arroz registraram alta média de 6% em junho, com movimentos distintos entre as principais origens exportadoras. A valorização foi liderada pelo produto tailandês, cujas cotações avançaram 13% no mês, impulsionadas pela maior demanda externa e pelas preocupações com a oferta das próximas safras diante dos riscos associados ao retorno do fenômeno climático El Niño. Nos últimos dois meses, os preços do arroz da Tailândia acumulam alta superior a 20%, refletindo a expectativa de possível redução da produção asiática no fim do ano em razão das condições climáticas adversas. O cenário de menor disponibilidade futura tem aumentado a cautela dos compradores internacionais e sustentado as cotações.

O arroz paquistanês também apresentou valorização expressiva em junho, com aumentos entre 8% e 10%, favorecidos pela retomada da demanda externa e pela recuperação do consumo interno. No Vietnã, a alta foi mais moderada, próxima de 3%. Em sentido contrário, os preços permaneceram relativamente estáveis na Índia, nos Estados Unidos e nos países do Mercosul, onde a maior disponibilidade de oferta tem limitado movimentos mais intensos de valorização. A expectativa de retorno do El Niño mantém o mercado internacional em alerta, com possibilidade de impactos relevantes sobre a produção e os preços asiáticos nos próximos meses, podendo influenciar o balanço global até além de 2027.

A perspectiva de queda de 1,8% na produção mundial de arroz na safra 2026/27 e de redução de 2,7% nos estoques globais tende a restringir a oferta disponível para exportação. Apesar desse cenário, a ampla disponibilidade de arroz da Índia continua funcionando como fator limitante para novas altas mais acentuadas nas cotações internacionais no curto prazo. Assim, os preços internacionais do arroz apresentaram movimentos distintos entre as principais origens exportadoras, com destaque para a forte valorização na Tailândia e no Paquistão, enquanto a ampla disponibilidade da Índia limitou altas mais expressivas. O cenário global segue influenciado pela expectativa de menor produção mundial na safra 2026/27, pelos riscos climáticos associados ao retorno do fenômeno El Niño e pela recomposição da demanda externa em alguns mercados.

Na Índia, os preços avançaram moderadamente em junho diante da redução da oferta global, mas os elevados excedentes exportáveis do país continuam restringindo novas valorizações. O mercado observa retomada do interesse pelo arroz parboilizado indiano, principalmente por compradores africanos, em substituição ao produto tailandês, que perdeu competitividade em razão dos preços mais elevados. A Índia mantém posição dominante no mercado mundial de arroz, com participação de 28% na produção global e aproximadamente 40% das exportações internacionais. Os embarques indianos podem alcançar 24 milhões de toneladas em 2026. Em junho, o arroz branco indiano 5% foi negociado a US$ 347,00 por tonelada FOB, ante US$ 344,00 por tonelada em maio. O arroz parboilizado avançou para US$ 338,00 por tonelada, contra US$ 334,00 por tonelada anteriormente.

Na Tailândia, os preços registraram forte valorização de 13% em junho, atingindo o maior nível desde janeiro de 2025. O movimento foi impulsionado pela retomada da demanda do Sudeste Asiático e da África Austral, além das incertezas sobre a oferta exportável nas próximas safras diante dos possíveis impactos do El Niño. As exportações tailandesas cresceram 5% em maio ante abril, mas ainda acumulam atraso de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Para 2026, os embarques podem recuar 11%, para 7 milhões de toneladas. Em junho, o arroz tailandês Thai 100% B subiu para US$ 478,00 por tonelada, ante US$ 424,00 em maio. O arroz parboilizado avançou para US$ 470,00 por tonelada, contra US$ 421,00 por tonelada em maio, enquanto o arroz quebrado A1 Super teve alta de 7%, para US$ 413,00 por tonelada. Em julho, os preços de exportação registram recuo de 2% em relação à média mensal do mês anterior.

No Vietnã, os preços de exportação tiveram alta mais moderada, de 3%, apesar da demanda consistente dos mercados tradicionais, especialmente das Filipinas, principal destino do arroz vietnamita, responsável por quase metade das exportações do país. As preocupações com as próximas safras aumentaram diante da redução das áreas cultivadas e dos possíveis efeitos do El Niño. Em junho, o arroz Viet 5% foi negociado a US$ 413 por tonelada, ante US$ 403,00 por tonelada anteriormente, enquanto o Viet 25% alcançou US$ 385,00 por tonelada, contra US$ 376,00 por tonelada. Em julho, os preços apresentam tendência de estabilidade.

No Paquistão, os preços aumentaram entre 8% e 10% em junho, refletindo uma oferta mais restrita e a retomada da demanda interna e externa, principalmente das Filipinas, que buscam diversificar fornecedores. Apesar da valorização, as exportações paquistanesas registram queda de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. O arroz Pak 5% foi cotado a US$ 389,00 por tonelada em junho, ante US$ 350,00 por tonelada em maio. Em julho, os preços permanecem firmes, com alta de 6% sobre a média mensal anterior.

Nos Estados Unidos, os preços recuaram 1% em junho, mas o mercado permaneceu mais ativo diante dos estoques considerados satisfatórios. As exportações alcançaram 270 mil toneladas em base beneficiada, ante 170 mil toneladas em maio, reduzindo o atraso para apenas 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Japão lidera os destinos do arroz norte-americano, com participação de 20% nas compras, seguido pelo México, com 19%, e pelo Haiti, com 11%. O arroz Long Grain 2/4 registrou preço médio de US$ 537,00 por tonelada em junho, ante US$ 540,00 por tonelada em maio. Em julho, as cotações permanecem estáveis.

No Mercosul, os preços de exportação permaneceram estáveis em junho, com perspectivas influenciadas positivamente pelo possível aumento das chuvas associado ao El Niño nas principais regiões produtoras, cenário diferente do esperado para algumas áreas asiáticas, onde o fenômeno pode provocar restrição hídrica. No Brasil, o preço indicativo do arroz em casca recuou 6% em junho, para US$ 231,00 por tonelada, ante US$ 245,00 por tonelada em maio. Em julho, a cotação apresenta recuperação de 3%, alcançando US$ 239,00 por tonelada.

Na África Subsaariana, os preços internos permaneceram relativamente estáveis em junho, diante da continuidade do abastecimento com arroz importado. Na Nigéria, as importações diretas apresentam recuperação, com aumento do interesse pelo arroz parboilizado indiano, favorecido pela maior competitividade em relação ao produto tailandês. Em sentido contrário, o Senegal adotou medidas para limitar importações e estimular o escoamento dos estoques domésticos, após dificuldades de comercialização diante da concorrência com o arroz importado, considerado mais competitivo em preço. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.