20/Jul/2026
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a produção mundial de arroz atingiu recorde em 2025, com crescimento de 1,9%, para 847 milhões de toneladas (562,3 milhões de toneladas em base beneficiada), ante 831,4 milhões de toneladas em 2024, O avanço refletiu o desempenho positivo das safras asiáticas pelo terceiro ano consecutivo, com destaque para Índia, Bangladesh, Indonésia e China. Na Índia, a produção aumentou 1,7%, mesmo diante de condições climáticas heterogêneas, enquanto Bangladesh e Indonésia registraram expansão impulsionada pelo aumento da área cultivada. A produção chinesa também apresentou recuperação, embora em ritmo mais moderado, com alta de 0,6%. Esses quatro países concentraram a maior contribuição para o crescimento da oferta global em 2025.
Em contrapartida, a produção recuou na África Subsaariana e nos Estados Unidos, onde as enchentes nas principais regiões produtoras do Sul reduziram o volume colhido. No Mercosul, a produção avançou 20%, com destaque para o aumento registrado no Brasil. Para a safra 2026/27, as projeções indicam retração de 1,8% na produção mundial, para 832,2 milhões de toneladas. A redução deve ser influenciada pelo retorno do fenômeno El Niño, com possibilidade de menor disponibilidade hídrica nas principais regiões produtoras da Ásia, além do aumento dos custos de produção e da provável redução das áreas destinadas ao cultivo de arroz. O comércio internacional de arroz também apresentou crescimento em 2025, com alta de 1,6%, para 61,1 milhões de toneladas, ante 60,1 milhões de toneladas em 2024. O avanço foi moderado pela retração da demanda no Sudeste Asiático, especialmente na Indonésia, que praticamente deixou de participar do mercado importador em 2025, após compras relevantes no ano anterior.
Nas Filipinas, as importações diminuíram 15% após a suspensão das compras externas no último trimestre de 2025. Em sentido contrário, a China ampliou suas aquisições em 35%, favorecida pelos baixos preços internacionais. A principal sustentação do comércio global veio da África Subsaariana, maior polo importador mundial, onde as compras externas cresceram 15% em relação a 2024. Para 2026, as projeções apontam redução de 2,1% no comércio mundial, para 59,8 milhões de toneladas. Apesar da retração, o fluxo internacional permanece elevado, sustentado pela demanda africana e pela retomada das importações na América Central e no Caribe. Os estoques mundiais de arroz encerraram 2025 em alta de 5,3%, alcançando 210,5 milhões de toneladas, ante 199,8 milhões de toneladas em 2024. A China manteve a maior participação nas reservas globais, com estoques de 102 milhões de toneladas, crescimento de 1% no ano, volume equivalente a cerca de 70% do consumo interno do país
Na Índia, os estoques cresceram 12% em relação à temporada anterior, acompanhando a recuperação da produção. As reservas dos principais países exportadores aumentaram para 70 milhões de toneladas em 2025, representando aproximadamente um terço dos estoques mundiais. Para 2026, as estimativas indicam nova expansão das reservas globais, com crescimento de 4,6% e possibilidade de atingir recorde de 220 milhões de toneladas. O volume equivaleria a cerca de 40% do consumo mundial de arroz, ou aproximadamente 4,8 meses de demanda global. Para 2027, as primeiras projeções indicam redução de 2,7% nos estoques, em razão da expectativa de menor produção mundial na safra 2026/27. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.