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30/Jun/2026

Rotação arroz-soja reduz emissões em 54% no RS

A rotação de culturas entre arroz irrigado e soja tem se consolidado no Rio Grande do Sul como uma estratégia relevante para a redução das emissões de gases de efeito estufa na orizicultura, sem comprometer a produtividade. Estudos do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indicam que o sistema pode reduzir em 54% as emissões associadas ao cultivo de arroz irrigado, contribuindo para a mitigação do impacto climático da atividade. O Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção de arroz do Brasil, e aproximadamente metade da área cultivada no Estado já adota a rotação com soja, com projeção de avanço para até 80% em um horizonte de dez anos. O sistema é baseado na alternância entre o cereal, cultivado em áreas alagadas, e a oleaginosa, com diferentes dinâmicas de decomposição de matéria orgânica no solo. A principal explicação para a redução das emissões está na menor disponibilidade de carbono no sistema quando a soja integra a rotação.

Enquanto a lavoura de arroz produz grande volume de palha com alta contribuição para processos metanogênicos em ambiente anaeróbio, a soja gera menor volume de resíduos e com decomposição mais rápida, reduzindo a formação de metano. O cultivo de arroz irrigado em áreas alagadas cria condições favoráveis à ação de microrganismos responsáveis pela emissão desse gás, um dos principais associados ao aquecimento global. Além da rotação, práticas como o preparo antecipado do solo e o uso de cultivares com menor emissão de metano também contribuem para a mitigação do impacto ambiental da cultura. A variedade Irga 424 RI está entre as mais utilizadas no Estado com esse perfil. Outra prática citada é o plantio direto, ainda adotado por cerca de 8% dos produtores do Estado, que pode reduzir de forma mais significativa as emissões e favorecer o acúmulo de carbono no solo, embora apresente desafios em áreas de baixa drenagem. Programas de incentivo, como o Selo Ambiental, criado há 16 anos, oferecem redução de 0,5% nas taxas de juros de financiamento para produtores que adotam práticas sustentáveis.

O Pagamento por Serviços Ambientais, instituído pelo governo estadual, prevê remuneração entre R$ 80,00 e R$ 100,00 por hectare, embora enfrente questionamentos jurídicos. O avanço das práticas de manejo, combinado com melhoramento genético, tem contribuído para aumento expressivo da produtividade da cultura no Estado, que passou de cerca de quatro toneladas por hectare no início dos anos 2000 para atuais níveis próximos de nove toneladas por hectare. Esse ganho de eficiência implica redução da emissão de CO2 por quilo produzido. Em propriedades que adotam a rotação de culturas há décadas, como em áreas de Pelotas (RS), o sistema é associado à redução de custos, melhoria da qualidade do solo e menor uso de defensivos agrícolas. A introdução de tecnologias como sementes transgênicas foi determinante para o controle de plantas daninhas e viabilização da integração entre arroz e soja em larga escala. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.