29/Jun/2026
Segundo a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o acesso dos produtores de arroz ao Plano Safra 2026/2027 passa a depender não apenas do volume de recursos disponibilizados pelo governo federal, mas também de condições estruturais como renegociação de dívidas, redução do custo do crédito e fortalecimento do seguro rural. O elevado nível de endividamento no setor é fator de restrição ao financiamento da próxima safra. A recomposição das dívidas agrícolas é considerada prioridade para viabilizar o acesso dos produtores às linhas de custeio. O diagnóstico é de que, sem medidas de suporte governamental, parte relevante dos arrozeiros pode enfrentar dificuldades para contratar crédito diante do cenário financeiro atual.
Outro ponto defendido pelo setor é a limitação das taxas de juros das operações de custeio da agricultura empresarial a níveis inferiores a 10% ao ano. A avaliação é de que patamares superiores comprometem a viabilidade econômica da atividade, especialmente no caso do arroz, em um ambiente de margens mais apertadas. No campo institucional, também é destacada a importância da aprovação e implementação do Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê linha especial de financiamento para produtores afetados por eventos climáticos. A medida é considerada estratégica para produtores que enfrentam restrições financeiras e deveria estar em vigor antes da operacionalização do novo Plano Safra. O valor total do Plano Safra, estimado em cerca de R$ 600 bilhões, não garante automaticamente a efetiva liberação dos recursos ao produtor.
O acesso ao crédito depende da captação de recursos pelas instituições financeiras por meio de instrumentos como Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), poupança rural e outras fontes de funding. Além do crédito, a Federarroz também defende a recomposição dos recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com proposta de orçamento em torno de R$ 4 bilhões, considerado necessário para ampliar a cobertura de risco climático das lavouras. A combinação entre renegociação de dívidas, juros mais baixos e fortalecimento do seguro rural será determinante para a efetividade do Plano Safra no segmento arrozeiro, especialmente diante das restrições financeiras e do aumento da exposição a riscos climáticos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.