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02/Jun/2026

Brasil: biochar avança com apoio à descarbonização

A produção de biochar no Brasil vem ganhando escala com o apoio de políticas públicas voltadas à descarbonização, à recuperação ambiental e ao fortalecimento da bioeconomia. Produzido a partir de resíduos agrícolas, como cascas de arroz, cascas de café e bagaço de cana-de-açúcar, o insumo tem ampliado sua presença em projetos agrícolas e industriais. Dados compilados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que a cadeia já recebeu R$ 237 milhões em investimentos e deve atrair outros R$ 367 milhões até 2028, totalizando cerca de R$ 604 milhões em aportes destinados à expansão de unidades produtivas e ao desenvolvimento de novos projetos. O MDIC classifica o biochar como uma tecnologia estratégica para a bioeconomia, a indústria verde e a geração de créditos de carbono.

O avanço da atividade ocorre em paralelo à ampliação de instrumentos públicos de financiamento e fomento, com participação de instituições como BNDES, Finep, Fundação Cargill e Fapemig, que apoiam iniciativas voltadas à inovação, sustentabilidade e mitigação das emissões de gases de efeito estufa. O Rio Grande do Sul passou a ocupar posição de destaque na utilização do biochar após as enchentes registradas em 2024. Em parceria com a Embrapa, o MDIC desenvolve um projeto piloto em São Lourenço do Sul voltado à recuperação de áreas degradadas por meio da utilização de biochar produzido a partir da casca de arroz. A iniciativa tem potencial para beneficiar até 1.250 agricultores familiares no Estado, contribuindo para a restauração produtiva e ambiental das propriedades afetadas. A expansão da capacidade produtiva também avança por meio de investimentos privados. A NetZero opera atualmente quatro plantas de biochar no Brasil, sendo três em Minas Gerais e uma no Espírito Santo, destinadas ao reaproveitamento de resíduos da cafeicultura.

A capacidade instalada das unidades soma 16 mil toneladas anuais de biochar. A empresa também captou 18 milhões de euros junto ao fundo europeu Stoa Infra & Energy para acelerar sua expansão no mercado brasileiro. Entre os projetos em andamento, destaca-se a implantação de uma unidade em Campina Verde (MG), destinada ao processamento de resíduos da cana-de-açúcar, com investimentos entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões. Além disso, empreendimentos em desenvolvimento nos estados de Goiás e Rio Grande do Sul preveem aportes de R$ 40 milhões e R$ 45 milhões, respectivamente, reforçando a perspectiva de crescimento da cadeia e sua inserção nas estratégias de agricultura sustentável e captura de carbono. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.