15/Apr/2026
Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o aumento de 21,1% no preço do diesel S10 no Rio Grande do Sul desde o início do conflito no Oriente Médio implica custo adicional direto estimado em R$ 612,2 milhões nas operações mecanizadas das principais lavouras do Estado. O valor reflete a elevação do combustível de R$ 5,97 por litro em 27 de fevereiro para R$ 7,23 por litro em 10 de abril, período em que o barril de petróleo Brent avançou de US$ 70,99 para aproximadamente US$ 97,30, alta de 37%. O movimento é caracterizado como estrutural, com o diesel assumindo papel central como vetor de risco econômico para o agronegócio gaúcho em 2026. O avanço dos preços ocorre em um momento de elevada demanda por operações mecanizadas, coincidindo com a colheita da safra de verão 2025/26 e a definição do plantio de inverno, o que intensifica os efeitos sobre custos e decisões produtivas. O impacto varia entre as culturas.
O arroz apresenta o maior custo adicional, de R$ 185,72 por hectare, equivalente a 2,95 sacos de 50 Kg por hectare, em um contexto de remuneração operacional limitada, o que compromete a rentabilidade. A soja registra o menor impacto individual, de R$ 48,74 por hectare, ou 0,41 saca de 60 Kg por hectare, mas concentra o maior impacto agregado, estimado em R$ 331,2 milhões, devido à ampla área cultivada. O milho apresenta acréscimo de R$ 69,01 por hectare, equivalente a 1,21 sacas de 60 Kg por hectare, enquanto o trigo registra elevação de R$ 43,68 por hectare, ou 0,73 saca de 60 Kg por hectare. No caso da soja, o aumento de custos ocorre em um ambiente de margens operacionais comprimidas e elevado nível de endividamento, ampliando o risco financeiro. Para milho e trigo, a combinação de custos mais altos e margens pressionadas reduz a capacidade de absorção do choque, elevando a vulnerabilidade econômica das atividades.
A dispersão regional dos preços do diesel amplia a complexidade operacional. Levantamento em 35 municípios indica variação de R$ 7,05 por litro a R$ 7,95 por litro, com amplitude de R$ 0,90 por litro. A maioria das localidades já opera em patamares elevados, com 28 municípios acima de R$ 7,20 por litro e 24 acima de R$ 7,30 por litro, indicando generalização dos preços mais altos. Os cenários projetados indicam elevada sensibilidade do setor a novos reajustes. Com o diesel a R$ 8,00 por litro, o impacto potencial sobre o agronegócio gaúcho alcançaria R$ 986,3 milhões. Em cenário mais adverso, com o combustível a R$ 9,00 por litro, o custo adicional poderia atingir R$ 1,47 bilhão. A avaliação sobre medidas de mitigação aponta baixa eficácia de desonerações fiscais amplas, com tendência de diluição dos benefícios ao longo da economia e limitada efetividade sobre o setor produtivo. Além disso, a renúncia fiscal pode pressionar as contas públicas, dificultar o controle inflacionário e postergar a redução da taxa Selic, elevando o custo financeiro ao produtor rural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.