13/Apr/2026
Os preços internacionais do arroz registraram queda média de 3% em março, em um ambiente de forte pressão decorrente de tensões geopolíticas e elevação dos custos energéticos. O conflito no Oriente Médio reduziu o ritmo do comércio global, ao mesmo tempo em que provocou mudanças nas rotas marítimas, elevando custos logísticos e gerando escassez de contêineres. O bloqueio do Estreito de Ormuz impacta diretamente o fluxo comercial, considerando que os países do Golfo Pérsico respondem por cerca de 12% da demanda mundial de arroz. A restrição afeta especialmente exportadores asiáticos, como Índia e Tailândia, que enfrentam dificuldades adicionais no escoamento.
Do lado da demanda, há sinais de recuperação na África e na China, embora ainda insuficientes para reequilibrar o mercado global. A oferta exportável permanece elevada, com expectativa de entrada de novas safras asiáticas nas próximas semanas, mantendo pressão sobre as cotações no curto prazo. Paralelamente, o aumento nos preços de fertilizantes, impulsionado por restrições no fornecimento de ureia e gás natural provenientes do Golfo Pérsico, adiciona um fator de risco para a produção. O encarecimento dos insumos ocorre em um momento crítico, às vésperas do principal período de plantio na Ásia.
Esse cenário pode resultar em redução de área plantada e queda nos rendimentos, com estimativas preliminares indicando recuo entre 10% e 15% na produtividade. Os efeitos tendem a se materializar no período de colheita, entre outubro e novembro. Apesar das incertezas quanto à evolução do quadro geopolítico, o ambiente aponta para possível reversão da tendência recente, com viés de alta nos preços internacionais do arroz nos próximos meses, à medida que os impactos sobre a oferta se consolidem. Os preços internacionais do arroz apresentaram movimentos distintos entre os principais exportadores, com quedas generalizadas na Ásia e valorização no Mercosul, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, restrições logísticas e ajustes na demanda global.
Na Índia, as cotações recuaram entre 2% e 3% em março, refletindo a redução do comércio com o Oriente Médio, um dos principais destinos do arroz basmati. A guerra no Irã impactou os embarques para o país, parcialmente compensados pela demanda de outros mercados do Golfo Pérsico. Ainda assim, dificuldades logísticas e aumento dos custos de frete têm provocado atrasos nas exportações. Para 2026, a Índia projeta embarques de aproximadamente 24 milhões de toneladas, equivalentes a cerca de 40% do comércio mundial. Em março, o arroz branco 5% foi cotado em média a US$ 342,00 por tonelada FOB, ante US$ 348,00 por tonelada em fevereiro, enquanto o parboilizado recuou para US$ 347,00 por tonelada frente a US$ 354. No início de abril, os preços apresentam estabilidade.
Na Tailândia, os preços registraram quedas mais acentuadas em março, entre 4% e 5%, em um mercado com baixa atividade. Os embarques para o Oriente Médio enfrentam atrasos, pressionando as cotações. As exportações acumulam recuo de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, com projeção de queda de 11% em 2026, para 7 milhões de toneladas. Em março, o arroz 100%B foi negociado a US$ 375,00 por tonelada, contra US$ 396,00 por tonelada em fevereiro, enquanto o parboilizado caiu para US$ 384,00 por tonelada ante US$ 405,00 por tonelada. O arroz quebrado A1 Super recuou 1,5%, para US$ 352,00 por tonelada. No início de abril, os preços passaram a mostrar reação, sustentados pela elevação dos custos internos e pela retomada da demanda africana.
No Vietnã, as cotações recuaram levemente em março diante da ampla oferta exportável, embora a demanda do Sudeste Asiático tenha contribuído para limitar as perdas. As exportações cresceram 6% no primeiro trimestre, impulsionadas pela retomada das compras das Filipinas. O país busca ampliar sua presença na África e consolidar vendas de arroz de maior qualidade para a Europa. Em março, o arroz 5% foi cotado a US$ 354,00 por tonelada, ante US$ 356,00 por tonelada, enquanto o arroz 25% recuou para US$ 329,00 por tonelada frente a US$ 334,00 por tonelada. No início de abril, os preços apresentam movimento de alta.
No Paquistão, os preços caíram 4% em março, pressionados pelo contexto geopolítico e pelas disfunções no comércio internacional. As exportações recuam 12% na comparação anual, levando o país a buscar diversificação de mercados, com foco na China, Sudeste Asiático e África. O arroz 5% foi negociado a US$ 350,00 por tonelada em março, contra US$ 366,00 por tonelada em fevereiro, com sinais de recuperação no início de abril.
Nos Estados Unidos, os preços recuaram 2,5% em março diante da maior competitividade do arroz do Mercosul. Ainda assim, as exportações cresceram para 155 mil toneladas em março, ante 135 mil toneladas em fevereiro, embora permaneçam 27% abaixo do volume do mesmo período do ano anterior. O arroz Long Grain 2/4 foi cotado a US$ 551,00 por tonelada, frente a US$ 565,00 por tonelada. No início de abril, os preços se mantêm estáveis, em torno de US$ 550,00 por tonelada.
No Mercosul, os preços de exportação registraram valorização expressiva em março, em contraste com os demais mercados. A oferta mais restrita, combinada à retenção de estoques diante da alta dos custos de produção, sustenta o movimento de alta. O arroz em casca brasileiro avançou 6,5% em março, para US$ 224,00 por tonelada, ante US$ 211,00 por tonelada em fevereiro. No início de abril, os preços estão firmes em torno de US$ 242,00 por tonelada.
Na África Subsaariana, a demanda por importações apresenta fortalecimento, impulsionada pela queda dos preços internacionais. O continente consolida-se como principal destino para absorção dos excedentes exportáveis, especialmente diante das restrições no Oriente Médio. Países como a Nigéria devem ampliar significativamente suas compras externas em 2026, em função da redução da produção doméstica. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.