18/Mar/2026
Os preços mundiais do arroz apresentaram estabilidade em fevereiro, com leve recuo de 0,1%, em um ambiente de baixa atividade influenciado pelas festividades do Ano Novo Chinês e pela expectativa de aumento da oferta com a entrada das safras asiáticas. A perspectiva de produção elevada reforça a percepção de continuidade do movimento de queda nos preços, sustentando um viés baixista no mercado internacional. O comportamento dos preços variou entre as principais origens. Índia, Paquistão e Vietnã registraram quedas moderadas, refletindo demanda externa mais contida e maior disponibilidade exportável.
Em contrapartida, a Tailândia apresentou valorização pontual, especialmente no arroz parboilizado, em função de restrições de oferta. No entanto, ao final de fevereiro e início de março, os preços asiáticos passaram a registrar recuos mais acentuados, diante da combinação de demanda enfraquecida e maior volume de ofertas no mercado exportador. No Hemisfério Ocidental, os preços permaneceram estáveis, com destaque para os Estados Unidos. No Mercosul, observou-se tendência de queda, associada à entrada gradual das novas safras, ampliando a disponibilidade regional e pressionando as cotações. As projeções indicam redução do comércio mundial de arroz para 60,4 milhões de toneladas, frente a 61,1 milhões de toneladas em 2025, sinalizando ajuste entre oferta e demanda no mercado global.
Ao mesmo tempo, o ambiente geopolítico adiciona um vetor relevante de incerteza. A guerra no Oriente Médio pode impactar o comércio regional e internacional, especialmente no segmento de arrozes aromáticos, considerando que países do Golfo, além de Irã e Iraque, figuram entre os principais destinos do arroz Basmati indiano e do arroz aromático tailandês. Em meados de março, o mercado passou a apresentar quedas mais consistentes, influenciado por disrupções logísticas associadas ao bloqueio de rotas marítimas estratégicas e ao aumento dos tempos de transporte. Esse cenário elevou significativamente os custos operacionais, com alta nos fretes marítimos, nas taxas de seguro, no preço do combustível para navios e na escassez de contêineres.
O conjunto desses fatores indica um mercado global pressionado pela combinação de oferta crescente, demanda mais cautelosa e restrições logísticas, ampliando a volatilidade no curto prazo, mas mantendo a tendência predominante de ajuste baixista nos preços internacionais. Os preços internacionais do arroz apresentaram comportamentos distintos entre as principais origens, em um contexto global marcado por demanda moderada, aumento da oferta e impactos geopolíticos, especialmente relacionados à guerra no Oriente Médio, que tem afetado fluxos comerciais e custos logísticos.
Na Índia, os preços recuaram marginalmente diante de demanda moderada. O ambiente geopolítico elevou as preocupações no setor exportador, com impacto direto sobre a logística e os custos operacionais. Estima-se que cerca de 500.000 toneladas de arroz Basmati estejam bloqueadas em portos ou em trânsito, com risco de revisão para baixo das exportações caso persistam os entraves nas rotas marítimas. A projeção atual indica embarques de aproximadamente 24 milhões de toneladas, o equivalente a 40% do comércio mundial. Em fevereiro, o arroz branco 5% foi cotado a US$ 348,00 por tonelada FOB, frente a US$ 350,00 por tonelada em janeiro, enquanto o parboilizado permaneceu em US$ 354,00 por tonelada, com tendência de enfraquecimento em meados de março.
Na Tailândia, os preços apresentaram valorização inicial, sustentada por oferta mais restrita, especialmente no segmento de parboilizado, e pelo início dos embarques para a China no âmbito de contrato de 500.000 toneladas. Em fevereiro, o arroz Thai 100%B manteve-se em US$ 396/t, o parboilizado avançou para US$ 405 apresenta viés baixista, ante US$ 400,00 por tonelada, e o A1 Super subiu para US$ 358,00 por tonelada, frente a US$ 351,00 por tonelada. No entanto, a partir de março, os preços recuaram cerca de 5% em poucos dias, pressionados pelos efeitos do conflito no Oriente Médio e pela desvalorização do bath frente ao dólar. As exportações também apresentam atraso de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No Vietnã, os preços de exportação recuaram moderadamente, refletindo a ampla disponibilidade decorrente das boas safras de inverno-primavera. O país apresenta menor exposição aos impactos do conflito no Oriente Médio, dado o foco comercial no Sudeste Asiático. As exportações cresceram 3,5% nos dois primeiros meses do ano, impulsionadas pela retomada das compras das Filipinas e pela maior demanda da China. Em fevereiro, o Viet 5% foi cotado a US$ 356/t, frente a US$ 358/t anteriormente, e o Viet 25% a US$ 334,00 por tonelada, ante US$ 336,00 por tonelada, com tendência de queda adicional em março diante da demanda externa limitada.
No Paquistão, os preços apresentaram queda leve em fevereiro, com intensificação do movimento no início de março, influenciado pelo cenário geopolítico e pelas disrupções no comércio internacional. O país depende da demanda do Oriente Médio para sustentar suas exportações, especialmente de arroz Basmati, que representa cerca de 15% do total embarcado. O arroz Pak 5% foi negociado a US$ 366/t em fevereiro, ante US$ 370,00 por tonelada em janeiro, recuando para cerca de US$ 350,00 por tonelada em meados de março.
Na China, as entregas iniciais de 40.000 toneladas ocorreram em fevereiro, dentro do contrato de 500.000 toneladas com a Tailândia, cuja execução se estende ao longo do ano. Paralelamente, o país busca diversificar fornecedores, com maior participação de Paquistão, Camboja e Mianmar. As importações chinesas podem ultrapassar 3 milhões e toneladas em 2026, reforçando sua atuação no mercado internacional.
Nos Estados Unidos, os preços permaneceram estáveis em fevereiro, mesmo com oferta exportável mais limitada. As exportações somaram 135.000 toneladas, ante 210.000 toneladas em janeiro, configurando o menor volume mensal desde julho de 2023. O arroz Long Grain 2/4 manteve-se em US$ 565/t, recuando para US$ 550,00 por tonelada em meados de março diante da baixa demanda externa e da maior concorrência do Mercosul. No mercado futuro, os preços do arroz em casca avançaram de US$ 230,00 por tonelada para US$ 236,00 por tonelada e atingiram US$ 238,00 por tonelada em março, indicando firmeza nas cotações.
No Mercosul, os preços de exportação registraram leve alta em um ambiente mais ativo, com exceção do Brasil, onde a maior oferta pressionou as cotações. O arroz em casca brasileiro avançou 5,3% em fevereiro, para US$ 211,00 por tonelada, frente a US$ 200,00 por tonelada em janeiro, influenciado também pela valorização de 2,5% do Real frente ao dólar, mantendo-se firme em US$ 216,00 por tonelada em meados de março.
Na África Subsaariana, a comercialização das colheitas foi concluída, com mercados abastecidos e estabilidade nos preços ao consumidor. A região deve manter papel central na demanda global em 2026. Na Nigéria, a produção apresenta retração, com perspectiva de aumento das importações, mesmo diante de políticas de proteção ao mercado interno.
O cenário global evidencia um mercado influenciado por oferta elevada, demanda regionalmente heterogênea e crescente interferência de fatores geopolíticos e logísticos, que afetam fluxos comerciais, custos e formação de preços, reforçando a volatilidade no curto prazo e a pressão estrutural sobre as cotações internacionais. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.