11/Mar/2026
Produtores rurais do Rio Grande do Sul relatam paralisação das atividades de colheita de soja e arroz devido à falta de diesel nas propriedades. Segundo relatos de agricultores e representantes do setor, cargas de combustível tiveram entregas canceladas ou reagendadas por Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs), responsáveis pela distribuição do produto nas fazendas. Os primeiros problemas começaram a ser registrados na última sexta-feira, em meio à escalada das tensões geopolíticas envolvendo o Irã e à forte alta dos preços internacionais do petróleo. De acordo com produtores, a dificuldade de abastecimento estaria relacionada à interrupção ou atraso no fornecimento por parte de refinarias e distribuidores. Em propriedades agrícolas no norte do Estado, produtores afirmam que a colheita de soja foi interrompida enquanto aguardam a normalização do abastecimento.
Agricultores relatam que fornecedores consultados não possuem diesel disponível para entrega imediata, o que tem provocado atrasos nas operações de campo. O receio no setor é que a distribuição esteja sendo postergada diante da expectativa de reajustes de preços do combustível, após a recente volatilidade do mercado internacional de petróleo. Empresas ligadas ao setor de sementes e insumos também relatam preocupação com o cenário. Algumas indústrias afirmam que conseguiram evitar impactos imediatos ao reforçar seus estoques de diesel antes do início das operações de colheita, mas destacam que produtores da região têm relatado atrasos nas entregas e cancelamentos de pedidos. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) classificou a situação como preocupante, especialmente por ocorrer em um período crítico da colheita da safra de verão. Segundo a entidade, atrasos nas operações aumentam a exposição das lavouras a riscos climáticos, em um Estado que já acumula perdas relevantes decorrentes de eventos extremos nos últimos anos.
A dificuldade ocorre em um momento de alta demanda pelo combustível, utilizado intensivamente nas operações mecanizadas de colheita e no transporte da produção agrícola. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que realiza monitoramento contínuo do mercado de combustíveis e acompanha diariamente os níveis de estoques. Segundo a agência, até o momento não foram identificadas restrições estruturais ao abastecimento no mercado nacional, embora tenha sido reconhecida a existência de dificuldades pontuais no Rio Grande do Sul. A ANP informou ainda que mantém diálogo com agentes do setor, incluindo os transportadores-revendedores-retalhistas, para avaliar as queixas e adotar medidas que garantam a continuidade do fornecimento de combustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.