12/Feb/2026
O mercado internacional de arroz iniciou 2026 com relativa estabilidade nos preços globais, ainda que com dinâmicas distintas entre os principais exportadores. O Índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO), base 100 em janeiro de 2000, manteve-se praticamente estável, passando de 182,5 pontos em dezembro para 182,9 pontos em janeiro, e alcançando 184 pontos no início de fevereiro. O ambiente internacional combina demanda firme na África, retração no Sudeste Asiático, oferta abundante em determinados exportadores e estoques globais elevados.
A produção mundial de arroz em 2025 é estimada em 846 milhões de toneladas em base casca, equivalente a 561,6 milhões de toneladas em base beneficiada, crescimento de 2% em relação a 2024. Trata-se de um novo recorde histórico, impulsionado principalmente pela Índia, cuja produção avançou 1,7%, pela expansão de área na Indonésia e por leve crescimento de 0,6% na China. Em contraste, a África Subsaariana registrou leve retração produtiva. Nos Estados Unidos, a produção foi impactada por inundações, enquanto no Mercosul houve recuperação expressiva, com o Brasil apresentando crescimento de 20% frente a 2024.
O comércio mundial alcançou 61 milhões de toneladas em 2025, expansão de 1,7%, enquanto para 2026 projeta-se leve retração para 60,6 milhões de toneladas (-0,6%). A Indonésia praticamente se retirou do mercado importador em 2025, alterando fluxos regionais. As Filipinas reduziram importações em 15% após suspensão no último trimestre de 2025. A China ampliou compras externas em 35%. A África consolidou-se como principal vetor de demanda, elevando suas importações em 15%, para 22,3 milhões de toneladas.
Os estoques globais ao fim de 2025 são estimados em 209,8 milhões de toneladas, crescimento de 5,3%, com projeção de atingir 217,7 milhões em 2026 (+3,8%), o equivalente a aproximadamente 40% do consumo mundial. A China concentra cerca de 102 milhões de toneladas, quase metade dos estoques globais. A Índia ampliou reservas em 12%. Os principais exportadores detêm aproximadamente 70 milhões de toneladas, cerca de um terço dos estoques mundiais.
A Índia consolidou sua posição como maior exportador global. Em 2025, as exportações atingiram 21,5 milhões de toneladas, ante 18 milhões em 2024, representando 35% do comércio mundial. Para 2026, o país projeta exportar entre 24 e 25 milhões de toneladas. Em janeiro, o arroz indiano 5% foi cotado a US$ 350 por tonelada FOB (US$ 349 em dezembro), enquanto o parboilizado permaneceu estável em US$ 354 por tonelada. No início de fevereiro, os preços mantiveram estabilidade.
A Tailândia exportou 7,9 milhões de toneladas em 2025, queda de 20% em relação ao ano anterior, e projeta 7 milhões para 2026. Em janeiro, o Thai 100%B foi cotado a US$ 395 por tonelada (US$ 397 em dezembro), o parboilizado a US$ 400 (US$ 404 anteriormente) e o quebrado A1 Super subiu para US$ 351 por tonelada (US$ 340 em dezembro). No início de fevereiro, observou-se mercado ligeiramente mais firme.
O Vietnã exportou 8 milhões de toneladas em 2025, ante 9,1 milhões em 2024. O Viet 5% foi cotado a US$ 358 por tonelada em janeiro (US$ 362 em dezembro), enquanto o Viet 25% caiu para US$ 336 por tonelada (US$ 342 anteriormente). A oferta abundante segue pressionando preços, que se estabilizaram no início de fevereiro.
O Paquistão registrou exportações de 4,6 milhões de toneladas em 2025, ante 6,5 milhões no ano anterior. O arroz Pak 5% subiu para US$ 370 por tonelada em janeiro (US$ 353 em dezembro), alta de 5%, sustentada por demanda do Oriente Médio e África, embora tenha apresentado enfraquecimento no início de fevereiro.
A China importou 2,7 milhões de toneladas em 2025, aumento de 30%, e deve superar 3 milhões em 2026. O país diversificou origens, ampliando compras do Paquistão, Camboja e Mianmar.
Nos Estados Unidos, as exportações de janeiro totalizaram 215 mil toneladas, com 2,3 milhões exportadas em 2025 (ante 3,2 milhões anteriormente). O arroz Long Grain 2/4 foi cotado a US$ 565 por tonelada em janeiro (US$ 561 em dezembro). No mercado futuro da CBOT, o arroz casca avançou de US$ 217 por tonelada em dezembro para US$ 230 em janeiro e atingiu US$ 246 por tonelada no início de fevereiro.
No Mercosul, o mercado externo mostrou maior dinamismo, exceto no Brasil. O arroz casca brasileiro foi indicado a US$ 195 por tonelada em dezembro, US$ 200 em janeiro (+2,7%) e US$ 208 no início de fevereiro. Mesmo com valorização de 2,5% do real, a oferta abundante manteve pressão sobre preços de exportação.
Na África Subsaariana, as colheitas foram concluídas e o mercado interno apresenta boa disponibilidade, mas há preferência por arroz asiático importado, pressionando preços locais e reduzindo estímulos a investimento. As importações atingiram 22,3 milhões de toneladas em 2025, ante 19,6 milhões no ano anterior.
Em síntese, o mercado mundial de arroz entra em 2026 com produção recorde, estoques elevados e competição acirrada entre exportadores asiáticos. A sustentação dos preços dependerá essencialmente do ritmo da demanda africana, das importações chinesas e das condições climáticas na Ásia. A abundância de oferta e o elevado nível de estoques configuram um ambiente estruturalmente confortável do ponto de vista de suprimento, ainda que com ajustes regionais relevantes de competitividade.
Fonte: InfoArroz/CIRAD – InterArroz Fevereiro/2026.