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10/Feb/2026

Produtores de arroz do RS temem nova crise de preços

A crise enfrentada pelos produtores de arroz do Rio Grande do Sul tende a se estender ao longo de 2026, em um cenário marcado por preços abaixo dos custos de produção, dificuldades de acesso ao crédito e elevado endividamento. A expectativa do setor é de que, no primeiro semestre do ano, haja forte concentração de vendas do cereal, o que pode ampliar a pressão negativa sobre as cotações.

No fim de janeiro, o indicador Cepea/Irga-RS apontava o arroz em casca no Rio Grande do Sul a uma média de R$ 53,84 por saca, enquanto os custos de produção, na fase de implantação da lavoura, eram estimados entre R$ 70 e R$ 75 por saca, evidenciando margens amplamente negativas para o produtor.

O quadro é agravado por um ambiente de oferta elevada no mercado global. A safra mundial 2024/25 foi uma das maiores já registradas, com aumento significativo da presença da Índia no comércio internacional, o que pressionou os preços externos. Esse movimento coincidiu com produção elevada no Brasil, juros altos e crédito restrito, formando uma combinação desfavorável que se prolonga para 2026.

Diante desse contexto, o setor projeta redução relevante da área plantada no Estado. As lavouras gaúchas de arroz devem ocupar entre 880 mil e 890 mil hectares nesta safra, queda entre 8,2% e 9,3% frente aos 970 mil hectares cultivados em 2024/25. Além da menor área, há expectativa de redução de produtividade, em função do uso mais limitado de tecnologia, dificuldades financeiras e maior incidência de pragas, como o arroz vermelho.

Outro fator de preocupação é a concentração dos vencimentos das Cédulas de Produtor Rural (CPRs) e instrumentos financeiros relacionados, que atualmente se acumulam no fim de março e abril. Segundo avaliações do setor, esse modelo força muitos produtores a venderem a colheita simultaneamente para fazer caixa, gerando excesso de oferta no mercado e queda adicional de preços.

Como alternativa, entidades defendem a desconcentração desses vencimentos, com liquidação parcial das CPRs ao longo de vários meses, entre março e junho. A proposta busca reduzir o choque de oferta e permitir uma comercialização mais gradual, embora sua implementação dependa de negociações complexas com indústrias, revendas e fornecedores de insumos.

Outra medida considerada estratégica é a redução temporária do ICMS sobre o arroz no Rio Grande do Sul durante o período de maior comercialização, com o objetivo de melhorar a competitividade do produto e aliviar a pressão sobre o produtor. A proposta já foi apresentada ao governo estadual e aguarda posicionamento.

No médio e longo prazo, representantes do setor avaliam que uma solução estrutural para o arroz gaúcho passa pela diversificação do uso do cereal, especialmente para a produção de etanol. Estudos estão em andamento para avaliar a viabilidade técnica e econômica do uso do arroz como matéria-prima para biocombustíveis, sem prejuízo ao abastecimento alimentar. A avaliação é de que o Estado dispõe de área suficiente para expandir a produção caso essa alternativa se consolide.

Entre as principais ações propostas para mitigar a crise do arroz no Rio Grande do Sul estão:

recomendação de redução da área plantada;

criação e aprimoramento de mecanismos de comercialização;

estímulo às exportações por meio de instrumentos setoriais;

redução temporária do ICMS no período de colheita;

desconcentração dos vencimentos de CPRs;

alongamento de custeios junto às instituições financeiras;

intensificação de pesquisa, fiscalização e combate à comercialização de arroz fora do tipo especificado.

O conjunto de medidas reflete a avaliação de que 2026 ainda será um ano desafiador para a orizicultura gaúcha, exigindo ajustes produtivos, financeiros e institucionais para reduzir a volatilidade e criar condições mínimas de recuperação do setor.

Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.