23/Jan/2026
Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo nos lares brasileiros cresceu 3,68% em 2025 ante o ano anterior, resultado próximo ao registrado no ano anterior, quando o indicador avançou 3,72%. O resultado superou a projeção da própria entidade, que previa alta de 2,7% para o ano. A combinação de renda real em alta e acomodação dos preços dos alimentos ajudou a reduzir oscilações ao longo de 2025 e deu sustentação ao desempenho do consumo, sobretudo no último trimestre. Na leitura mensal, o consumo das famílias avançou 15,69% em dezembro em relação a novembro. Na comparação interanual, a alta foi de 9,52%. O resultado é consistente com o efeito sazonal típico do período. O desempenho reflete a maior circulação de recursos na economia em dezembro, impulsionada pelo pagamento do 13º salário.
Esse movimento contribuiu para uma aceleração mais concentrada na reta final do ano, sem alterar o comportamento do consumo no acumulado de 2025. Os dados contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados. Para 2026, a projetação é de crescimento de 3,2% no consumo das famílias, sustentado por estímulos à renda, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o reajuste real do salário-mínimo e a manutenção de programas de transferência de renda. Contudo, a taxa Selic em patamar elevado tende a manter o crédito mais seletivo e o consumo mais cauteloso ao longo do ano. O indicador Abrasmercado, que acompanha a variação de preços de 35 produtos de largo consumo, encerrou 2025 com movimento de acomodação dos preços dos alimentos. O índice fechou o ano com variação acumulada de 0,73% e preço médio de R$ 800,35 na média nacional.
Condições climáticas mais favoráveis, safras recordes de grãos e um câmbio mais estável ajudaram a equilibrar os preços ao longo do ano, com reflexos diretos sobre o custo da alimentação no domicílio. No recorte de 12 produtos básicos, o preço médio nacional registrou retração de 1,40% em 2025, encerrando o ano em R$ 340,39. Entre as carnes e proteínas, observadas na cesta de largo consumo, as variações acumuladas em 2025 foram moderadas. O pernil encerrou o ano com queda de 1,84%, enquanto os cortes bovinos registraram altas de 1,30% no traseiro e de 1,55% no dianteiro. O frango congelado teve elevação de 1,60% e os ovos concentraram a maior alta do grupo, de 3,98%. Nos produtos básicos, o comportamento foi amplamente favorável ao consumidor. O arroz liderou as quedas no acumulado do ano, com retração de 26,55%, seguido por leite longa vida (-12,87%) e feijão (-4,21%). Em sentido oposto, o café torrado e moído registrou a maior alta do grupo, de 35,64%.
A Abras criticou a relação histórica entre o varejo e as empresas emissores de vales-alimentação e refeição, afirmando que "nunca foi fácil a negociação" e que os supermercados vinham enfrentando taxas consideradas "abusivas" e práticas que oneravam o estabelecimento. Antecipações de recebíveis eram feitas sem o pedido dos comerciantes e cobranças surgiam apenas nas conciliações de fim de mês, elevando custos e pressionando principalmente pequenas e médias redes. A reclamação do setor privado ganhou reforço com mudanças promovidas pelo governo federal no final de 2025 para modernizar o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). O decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece limites para as taxas cobradas pelas operadoras, com teto de 3,6% do valor das transações e tarifa de intercâmbio limitada a 2%, e reduz o prazo de repasse dos valores aos estabelecimentos para até 15 dias corridos. As operadoras terão 90 dias para se adequar a essas regras.
A nova regulamentação também prevê que, em até 360 dias, qualquer cartão de vale-alimentação ou refeição funcione em qualquer ‘maquininha’, independentemente da bandeira, ampliando a concorrência e dando mais liberdade de escolha para empresas, trabalhadores e comerciantes. Além disso, práticas comerciais abusivas, como descontos ou vantagens financeiras não diretamente relacionadas à alimentação, foram proibidas nas relações contratuais. Essas mudanças tendem a aliviar a pressão sobre o comércio. Os estabelecimentos que haviam deixado de aceitar vouchers já estão se movimentando para voltar a esse meio de pagamento. Porém, o pequeno e o médio não suportam os custos das taxas e, se a aceitação de voucher sair mais cara, esse custo pode ser repassado ao consumidor final. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.