16/Jan/2026
A Camil Alimentos obteve lucro líquido de R$ 44,1 milhões no terceiro trimestre fiscal de 2025, encerrado em novembro, informou a empresa nesta quarta-feira. O resultado representa recuo de 0,68% ante igual período do ano anterior, quando a companhia teve lucro de R$ 44,4 milhões. A companhia atua em arroz, feijão, café, açúcar, massas, pescados e biscoitos. A receita líquida diminuiu 5,1%, de R$ 3,105 bilhões para R$ 2,945 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2025. No segmento alimentício Brasil, a receita diminuiu 5,7%, para R$ 2,07 bilhões. O segmento alimentício internacional obteve receita líquida 3,8% menor, de R$ 875,8 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia aumentou 39,4% na mesma comparação, de R$ 171,3 milhões para R$ 238,8 milhões. A margem Ebitda cresceu 2,6%, encerrando o período em 8,1%. A alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) terminou o terceiro trimestre fiscal de 2025 em 4,2 vezes, estável ante igual período do ano fiscal anterior.
No período, a companhia investiu (Capex) R$ 95,4 milhões, 14% mais do que no terceiro trimestre fiscal de 2024. Os volumes consolidados no terceiro trimestre fiscal cresceram 14% na comparação anual, impulsionados, principalmente, pela operação internacional e pelas categorias de alto valor no Brasil. No mercado internacional, o Uruguai continuou sendo o destaque, impulsionando o crescimento das exportações, apoiado pela maior disponibilidade de arroz proveniente da última safra. Nas categorias de alto valor, a empresa apresentou crescimento de volumes em todas as frentes de negócios (pescados, massas, cafés e biscoitos) fruto das ações comerciais e operacionais em curso que reforçam a estratégia de crescimento com mix de categoria de maior valor. A Camil Alimentos registrou um desempenho operacional robusto no terceiro trimestre de 2025, superando as expectativas do Citi e do consenso. O Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) alcançou R$ 239 milhões, representando um aumento de 6% em relação à previsão do Citi e 3% acima do consenso.
A margem EBITDA de 8,1% foi favorável em comparação com o consenso de 8,3%, marcando uma expansão de 260 pontos-base em relação ao ano anterior. O lucro bruto de R$ 669 milhões também superou as expectativas, impulsionado por uma margem bruta de 22,7%, bem acima da estimativa de 19,9% do Citi. O principal destaque foi a qualidade operacional, concentrada no Brasil, reforçando a Camil como uma das principais escolhas para aproveitar o ciclo de corte de juros no setor de alimentos e bebidas. Segundo o Citi, o Brasil foi o principal motor do desempenho positivo, com uma lucratividade significativamente mais forte, apesar das receitas mais fracas. Enquanto a receita líquida no Brasil caiu cerca de 6% em relação ao ano anterior, a margem bruta expandiu-se acentuadamente, beneficiando-se de custos mais baixos de grãos e açúcar. No nível consolidado, o custo dos produtos vendidos (COGS) de R$ 2,28 bilhões ficou cerca de 3% abaixo da previsão do Citi, permitindo que o lucro bruto superasse as expectativas, mesmo com a receita cerca de 6% acima do Citi.
No Brasil, o segmento de alta rotatividade (arroz, feijão, açúcar) enfrentou pressão de volume, mas a recuperação de margem dominou o resultado, confirmando que o ciclo de baixa dos grãos agora está contribuindo para os lucros. Os preços do arroz permanecem profundamente deprimidos, com o arroz em casca caindo cerca de 50% em relação ao ano anterior, o que continua a pesar nas receitas reportadas. No entanto, o efeito na margem virou claramente positivo. A margem bruta expandiu-se 550 pontos-base em relação ao ano anterior e cerca de 280 pontos-base em relação à estimativa do Citi, à medida que os custos mais baixos de matérias-primas fluíram diretamente para o COGS. Essa dinâmica explica por que o EBITDA cresceu 39% em relação ao ano anterior. Esse impulso de margem deve persistir no ano fiscal de 2026, enquanto os preços do arroz permanecerem próximos do fundo do ciclo. As operações internacionais entregaram volumes fortes, com um aumento de 59% em relação ao ano anterior, apoiando os volumes consolidados, enquanto as categorias de alto crescimento no Brasil continuaram a escalar e proteger o mix.
No entanto, nenhuma dessas foi a principal fonte da surpresa nos lucros deste trimestre. O destaque foi, de longe, a normalização da margem de alta rotatividade no Brasil. A Camil continua sendo uma beneficiária de alta convicção dos cortes de juros no Brasil, com a alavancagem ainda elevada (dívida líquida/EBITDA dos últimos 12 meses em cerca de 4,2x) e uma parte significativa da dívida indexada ao CDI. Com o momento dos lucros agora visível pelo segundo trimestre consecutivo e as ações sendo negociadas a cerca de 6x o P/E estimado para o ano fiscal de 2026, o risco-retorno é assimétrico, com o potencial de alta superando significativamente o de baixa. Segundo o BTG Pactual, a Camil Alimentos apresentou resultados mistos no terceiro trimestre do ano fiscal de 2025, encerrado em novembro. Apesar do avanço consistente nos volumes em praticamente todas as frentes de negócio, a forte queda nos preços do arroz limitou o crescimento das receitas e manteve a pressão sobre os resultados financeiros. A receita líquida somou R$ 3,0 bilhões no trimestre, uma queda de 5% na comparação anual, mas 8% acima das estimativas do BTG Pactual.
O desempenho foi impulsionado pelo crescimento de 14% nos volumes consolidados em relação ao mesmo período do ano anterior, considerando o ajuste pela exclusão das exportações pontuais de açúcar realizadas no trimestre. No segmento de alto giro, os volumes ficaram levemente abaixo do esperado, mas ainda registraram crescimento de dois dígitos após a exclusão de cerca de 60 mil toneladas de açúcar exportadas no ano passado. Já os produtos de maior valor agregado surpreenderam positivamente, com volumes 17% acima das projeções e expansão anual de 23%. O segmento internacional também superou as expectativas, beneficiado pelo melhor desempenho das operações no Uruguai e pelo início das atividades no Paraguai, após a aquisição da empresa Villa Oliva. Ainda assim, o avanço operacional não se traduziu integralmente em crescimento de receita, em razão da queda de 49% nos preços do arroz na comparação anual, o que levou a uma retração de 17% no preço médio de venda. O Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) atingiu R$ 236 milhões, alta de 31% em relação ao ano anterior e 4% acima das estimativas, com margem de 8,0%.
No Brasil, a rentabilidade veio ligeiramente abaixo do projetado, mas ainda assim avançou 390 pontos-base na comparação anual, apoiada por melhores margens no açúcar, maior participação de produtos de maior valor agregado e uma base de comparação mais favorável. O lucro líquido foi de R$ 44 milhões, praticamente estável em relação ao ano anterior, mas abaixo das expectativas do mercado, refletindo despesas financeiras mais elevadas. Do lado do balanço, a dívida líquida aumentou R$ 436 milhões no trimestre, impactada por um consumo de capital de giro de R$ 222 milhões. Com isso, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA dos últimos 12 meses subiu para 4,8 vezes. Segundo o BTG Pactual, apesar do nível elevado, o movimento reflete a sazonalidade do negócio, já que a companhia costuma formar estoques de arroz no início do ano fiscal e monetizá-los ao longo do exercício. A expectativa é de que a alavancagem encerre o ano fiscal em torno de 3,1 vezes.
Com a consolidação total da aquisição da Villa Oliva, o banco revisou suas estimativas. A operação deve adicionar cerca de 25 mil toneladas por trimestre aos volumes da Camil, o equivalente a US$ 40 milhões a US$ 50 milhões em receitas anuais, com margens EBITDA de um dígito alto. A aquisição já foi integralmente paga, com desembolso de R$ 200 milhões realizado em novembro de 2024. Apesar dos desafios de curto prazo, o BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da Camil. O banco destaca que a companhia segue negociando a múltiplos atrativos - cerca de 6 vezes o lucro estimado para 2026, em um momento de fundo do ciclo das commodities, com preços do arroz ainda deprimidos. Na avaliação dos analistas, a melhora operacional deve ganhar tração à medida que o cenário de preços se normalize, tornando o potencial de valorização das ações significativamente superior aos riscos de queda.
A Camil Alimentos afirmou que o crescimento de 22,7% no volume de alto valor da empresa no Brasil no terceiro trimestre de 2025, que agrupa produtos como pescados enlatados, massas, biscoitos e café, foi puxado pela recuperação, principalmente, de volumes em massa e café. Para o próximo trimestre, o executivo vê crescimento. A previsão é de um crescimento ainda em cafés, mas também em pescados, por conta da Quaresma. Além disso, a empresa está focada em aumentar o volume de biscoitos. De acordo com os resultados da empresa no período, o volume consolidado em alto valor saiu de 45,5 mil toneladas no terceiro trimestre de 2024 para 55,9 mil toneladas no terceiro trimestre de 2025. No segmento café, a expectativa é manter o crescimento na categoria em 2026, com um cenário de preços menores por conta da boa safra neste ano, e de mudanças na dinâmica comercial da empresa.
A Camil deve atingir R$ 1 bilhão de receita líquida de café neste ano devido à redução dos preços, do investimento maior em market share em São Paulo e no Rio de Janeiro e no lançamento de novos produtos. A empresa seguirá fortalecendo a presença da marca União, com iniciativas de visibilidade e foco em posicionamento no segmento de maior valor. Com relação aos pescados, é esperado um aumento no volume de vendas por conta da sazonalidade, com a Quaresma. Esse é um driver de crescimento da categoria. No segmento de biscoitos, a Camil segue buscando aumentar o volume de vendas, com investimentos na marca Mabel. A empresa lançou a linha de cookies e trouxe de volta para o mercado os biscoitos recheados da marca, consolidando a entrada mais estruturada no território de biscoitos indulgentes. Também manteve as ações de revitalização da marca com foco claro em melhoria de rentabilidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.