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14/Jan/2026

Preços mundiais do arroz registram recuperação

Em dezembro de 2025, os preços mundiais do arroz tiveram um aumento médio de 6%, especialmente durante a segunda quinzena do mês, estimulados pela recuperação da demanda de importação no Sudeste Asiático e na China. O acordo comercial entre a Tailândia e a China abre novas perspectivas de exportação, o que incentivou os preços tailandeses com um aumento expressivo de 15%. Os preços da Índia e do Vietnã seguiram a tendência de alta, mas com ganhos mais moderados, entre 1% e 2%. No Paquistão, os preços subiram 5%. No entanto, a recuperação dos preços mundiais foi bastante breve. No início de janeiro, os preços se mantêm estáveis, mas com tendência de queda, especialmente na Tailândia, após a euforia do acordo comercial com a China.

Nos Estados Unidos, os preços do arroz voltaram a cair 2%, enquanto no Mercosul a queda dos preços foi mais fraca. Os compradores internacionais esperam novas quedas nos preços antes de retornarem ao mercado. A sensação de um excesso de oferta de exportação e uma mitigação da demanda mundial de importação pesam sobre o mercado mundial. Portanto, há três tendências que merecem atenção especial nos próximos meses: a evolução da produção mundial, que aumenta pelo terceiro ano consecutivo; a reestruturação do comércio mundial, com o expressivo retorno da Índia ao mercado de exportação; e o nível historicamente alto dos estoques, que representam quase 40% do consumo mundial.

Na Índia, os preços do arroz subiram 2% em dezembro por causa da valorização da rupia em relação ao dólar. A demanda por importações aumenta lentamente, especialmente de arroz branco não basmati. Nos primeiros dez meses do ano passado, as exportações indianas atingiram 18,5 milhões de toneladas e podem chegar a 22 milhões de toneladas em 2025 contra 18 milhões de toneladas em 2024, representando 35% das exportações mundiais. Em dezembro, o arroz branco indiano 5% registrou uma média de US$ 349,00 por tonelada FOB, contra US$ 343,00 por tonelada em novembro. O arroz parboilizado também se valorizou para US$ 353,00 por tonelada, contra US$ 346,00 por tonelada anteriormente. Em janeiro, os preços permanecem estáveis.

Na Tailândia, os preços subiram significativamente 15% em dezembro após o anúncio do acordo intergovernamental (G2G) com a China para fornecer 500.000 toneladas nos próximos meses. As perspectivas de compra das Filipinas e Singapura e o aumento dos preços internos devido às inundações no norte do país também influenciaram os preços de exportação. Em dezembro, as exportações tailandesas atingiram 810 000 toneladas, contra 848 000 toneladas em novembro, totalizando 8 milhões de toneladas em 2025 contra quase 10 milhões de toneladas em 2024, ou seja, uma diminuição de 20%. As previsões para 2026 apontam para uma nova queda nas exportações para 7 milhões de toneladas. Em dezembro, o preço do arroz tailandês Thai 100%B ficou em média de US$ 397,00 por tonelada, contra US$ 346,00 por tonelada em novembro. O arroz tailandês parboilizado também se valorizou para US$ 404,00 por tonelada, contra US$ 351,00 por tonelada anteriormente. O arroz quebrado A1 Super atingiu US$ 340,00 por tonelada, contra US$ 314,00 por tonelada em novembro. Em janeiro, os preços apresentam tendência de queda, mas, por enquanto, permanecem acima dos preços médios de dezembro/2025.

No Vietnã, os preços subiram apenas 1% em dezembro, na esteira da revalorização dos preços tailandeses. O aumento moderado explica-se pelas repercussões sofridas pelos exportadores após a suspensão das importações de arroz pelas Filipinas. Prevê-se que este país retorne ao mercado de importação no início do ano, mas deve registrar uma queda significativa nas importações em 2026. Em dezembro, as exportações do Vietnã atingiram 440.000 toneladas, contra 375.000 toneladas em novembro, totalizando 8,1 milhões de toneladas em 2025 contra 9,1 milhões de toneladas em 2024. Em dezembro, o arroz Viet 5% foi negociado a um preço médio de US$ 362,00 por tonelada, contra US$ 358,00 por tonelada anteriormente. O Viet 25% esteve cotado a US$ 342,00 por tonelada, contra US$ 340,00 por tonelada em novembro. Em janeiro, os preços estão pressionados pela queda da demanda de importação.

No Paquistão, os preços do arroz se valorizaram quase 5% em dezembro devido à reativação da demanda do Oriente Médio e da África. No entanto, com o aumento, há o risco de perda de oportunidades em mercados sensíveis aos preços. Em novembro, as exportações paquistanesas atingiram 427.000 toneladas, contra 285.000 toneladas em outubro, o que representa um atraso de 28% em relação ao ano passado na mesma época. No total, as exportações poder atingir 4,6 milhões de toneladas em 2025, contra 6,5 milhões de toneladas em 2024. Em dezembro, o Pak 5% foi negociado a US$ 353,00 por tonelada, contra US$ 338,00 por tonelada em novembro. Em janeiro, os preços permanecem firmes.

Nos Estados Unidos, os preços do arroz caíram 2% num contexto de forte concorrência internacional. Em 2025, as exportações atingiram 2,1 milhões de toneladas, contra 3,2 milhões de toneladas em 2024, o que representa uma queda de 30%. O México continua sendo o principal mercado, equivalente a 19% das exportações de arroz norte-americano, seguido de perto pelo Japão (17%). Em 2025, as exportações de arroz para o México caíram quase pela metade em comparação com os volumes anuais dos últimos 15 anos, como consequência da concorrência dos exportadores do Mercosul e asiáticos. Em dezembro, o preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 registrou uma média de US$ 561,00 por tonelada, contra US$ 573,00 por tonelada em novembro. Em janeiro, o preço permanece estável em US$ 565,00 por tonelada. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.