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22/Oct/2024

GPA apostando em minilojas de vizinhança em SP

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) quer transformar suas lojas em uma extensão da despensa da casa dos clientes. Com o boom de pequenos apartamentos erguidos em São Paulo capital, em cidades do interior e na Baixada Santista, além do número crescente de pessoas morando sozinhas, o GPA vê uma grande oportunidade para explorar o filão das lojas de proximidade, elevada a prioridade em sua estratégia de expansão. O Minuto (Pão de Açúcar) é o foco agora. Neste ano, já foram abertas 30 lojas de proximidade, e a meta é chegar em dezembro de 2024 com 60, a maior marca em dez anos. Para 2025, a intenção é repetir a dose: mais 60 pontos de venda. Desse total, 70% das lojas serão na cidade de São Paulo e 30% em cidades do interior nos arredores da capital, e na Baixada Santista.

A maior parte (80%) das lojas de proximidade que serão abertas no ano que vem leva a bandeira Minuto Pão de Açúcar e o restante será Mini Extra. Com área de vendas de 220 a 230 metros quadrados, a bandeira Mini Extra é voltada ao consumidor de classe média e a Minuto Pão de Açúcar, para as classes de maior renda, A e B. A companhia tem 330 lojas funcionando com essas bandeiras, e a maioria é Minuto. A maior fatia do investimento destinado à expansão nos últimos três anos foi para lojas de vizinhança, o que deve se repetir em 2025. Além do novo perfil das moradias e da mudança do comportamento do consumidor, o fator primordial para apostar nesse formato é a rentabilidade. Os dados são extremamente positivos, seja de crescimento, de market share ou de rentabilidade.

No ano passado, a rentabilidade proporcionada pelas lojas de vizinhança ficou 2% acima da rentabilidade global do GPA. Em termos de vendas, o desempenho também chama a atenção em relação a outros modelos operados pela empresa. O formato de vizinhança respondeu por 12% do faturamento total do GPA, de R$ 4,787 bilhões, no segundo trimestre e avançou 6,9% em relação a igual período de 2023, quando se comparam as mesmas lojas. Foi o melhor resultado na mesma base de comparação em relação aos demais formatos e mais do que o dobro do grupo como um todo. Entre abril e junho, as vendas totais da companhia cresceram 3,4% em relação a igual período de 2023, quando se comparam as mesmas lojas. O formato supermercado, que responde por quase a metade das vendas do GPA, cresceu 2,7% nesse critério e na mesma base de comparação.

No caso do Extra Mercado, o acréscimo foi de 3,4%, acompanhando a média da empresa. Esse ganho não advém de preços maiores. A diferença de preços de um mesmo produto entre uma loja de vizinhança e uma loja de supermercado do grupo é insignificante, gira em torno de 1% a 2%, o que é imperceptível para consumidor. Ao mesmo tempo que as lojas de vizinhança são favorecidas pelo forte adensamento de prédios e pelo crescimento do número de pequenos apartamentos com pouco espaço para estocar produtos em casa, a especulação imobiliária é um dos principais obstáculos ao avanço desse modelo de negócio. O GPA compete com os empreendimentos imobiliários nos terrenos.

Muitos proprietários de imóveis que poderiam ser locados para o supermercado de vizinhança se perguntam se não seria mais vantajoso vender a casa para incorporação do que alugar. Isso torna o preço do aluguel um desafio à expansão da loja de vizinhança. Normalmente, a expansão se dá por meio da abertura de uma loja do zero. A compra de um ponto de venda com um mercado em funcionamento é rara. O principal concorrente do Minuto Pão de Açúcar e do Mini Extra é o tradicional mercado de bairro, que tem laços com a clientela da vizinhança. Para o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), que reúne também os pequenos mercados de bairro, esse será um desafio muito grande para o GPA. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.