15/Jul/2024
A expectativa da Camil Alimentos é de que os preços do arroz, em patamares considerados elevados pela empresa, mantenham-se nesses níveis até o fim do ano, mas sem novas. O que tem de oferta e demanda no mercado já está dado, considerando que os valores só devem ter novos ajustes com o início da nova safra, entre dezembro e fevereiro. A companhia atua em arroz, feijão, café, açúcar, massas, pescados e biscoitos, sendo o cereal o principal produto comercializado pela empresa. Os preços do grão subiram após as enchentes no Rio Grande do Sul, Estado produtor de 70% do volume nacional, que fizeram com que dúvidas sobre o impacto na produção doméstica elevassem a demanda. Apesar de possíveis dificuldades para o plantio da próxima safra, que devem aumentar o custo em áreas mais afetadas, o cenário é de incentivo à produção nacional, o que manterá os agricultores interessados em plantar arroz.
O clima está saindo de um ano que teve um El Niño para um ano de La Niña. Isso faz com que haja menos chuvas e mais luminosidade, o que ajuda bastante a florescer a lavoura e em um cenário de água disponível. A perspectiva é de que não deve faltar arroz no médio e longo prazos e o abastecimento já está normalizado. A Camil considera acertada a decisão do governo de voltar atrás em relação ao leilão. O tema do leilão surgiu em um contexto diferente do atual, em que o escoamento estava dificultado. Naquele momento acabou tendo uma crise, o preço cresceu de maneira rápida e significativa e depois o próprio mercado foi se ajustando. O aumento da demanda não se refletiu por completo no primeiro trimestre fiscal, visto que uma parte considerável não pôde ser atendida em virtude dos entraves logísticos, apesar do crescimento na carteira de pedidos.
A Reforma Tributária é positiva, pois vários produtos comercializados pela Camil, como arroz, feijão, massas e café, estão na cesta básica isenta de impostos na reforma tributária, enquanto o atum em lata entrou na alíquota reduzida. Do ponto de vista mais macro, um ambiente de negócios mais claro e menos complexo acaba ajudando todo mundo. No contexto Camil, de ter uma grande parte dos produtos na cesta básica, ajuda de dois lados: tanto por ter um diferencial de preço por conta dessa menor alíquota, fazendo com que os produtos básicos em que a empresa atua sejam mais competitivos e acabem tendo uma demanda marginal melhor, quanto por tirar vantagem competitiva de quem sonega imposto. Os preços para o consumidor também devem diminuir quando a reforma for promulgada e passar a vigorar. Talvez o benefício para você ver o preço para alíquota zero será só em 2032/2033, após o período de transição.
A Camil Alimentos conseguiu se recuperar dos desafios logísticos enfrentados no fim de abril e início de maio devido às enchentes no Rio Grande do Sul. A logística levou cerca de quatro semanas para se normalizar, mas atualmente tudo está sob controle. A retomada da compra pelo varejo foi antes do evento no Rio Grande do Sul, mas o reabastecimento pelas indústrias acabou acontecendo um pouco mais tarde devido à dificuldade logística. A logística alternativa e a rápida adaptação da equipe da Camil foram cruciais para minimizar os impactos, mas a reposição de estoques pelo varejo foi concluída no fim de junho, normalizando a oferta do produto. No começo de maio, a dificuldade logística reduziu um pouco o volume dessas entregas. O que usualmente acontece em abril e maio, aconteceu em maio e junho. A recuperação ou a reposição dos estoques pelo varejo se concluiu praticamente no final de junho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.