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14/Jun/2024

Carrefour testa preço de atacarejo em hipermercados

O negócio de varejo do Carrefour encolheu mais de 10% em vendas totais no primeiro trimestre de 2024. A queda foi puxada pela forte redução na rede do formato de hipermercados da bandeira Carrefour Hiper, que teve 25 lojas transformadas em Atacadão e outras 140 fechadas nos 12 meses terminados em março. Disposta a fazer o formato voltar a crescer, a gestão atual da varejista segue uma estratégia já vista e questionada no mercado: aproximar os preços do hipermercado aos das lojas de atacarejo. O risco é a perda de rentabilidade nessas lojas. Porém, a manutenção dos hipermercados pode se justificar, entre outras coisas, pela relevância dos serviços financeiros bem-sucedidos oferecidos ali. Os hipermercados, não só no Brasil, mas em boa parte do mundo, são um formato que está sendo muito desafiado no varejo alimentar.

Ele vive o que se chama de ‘crise do meio’. Está perdendo mercado tanto para o atacarejo, do consumidor que busca preço e menos serviços, como para lojas de conveniência e proximidade, voltadas para consumidores que querem conforto e sortimento diferenciado. A questão é que o próprio mercado tem se questionado sobre qual seria o limite da aproximação entre os hipermercados e os atacarejos. Quanto o hipermercado pode baixar preços e quanto os atacarejos podem incluir em serviços e sortimento de produtos, mantendo margens saudáveis? Essa resposta ainda não está clara. Apesar da queda, a empresa viu evolução desse formato no período e está firme nos testes de preços mais competitivos e próximos aos de atacarejo. A empresa está seguindo a tendência de um consumidor mais endividado. A gestão tem cuidado da redução de custos para um melhor equilíbrio desse modelo.

Assim, mesmo que as margens caiam, como aconteceu no trimestre, seria possível equilibrar as contas. O modelo de atacarejo é, em essência, um formato com menos itens disponíveis, prateleiras maiores para evitar a necessidade constante de reposição e menos serviços nas lojas, barateando os custos fixos dos estabelecimentos e propiciando preços mais baixos. Assim, cortar os preços dos hipermercados, mantendo seus custos, teria um impacto direto nas margens do negócio. No último balanço do Carrefour, aliás, a margem bruta varejo caiu 0,8% em um ano, para 23,7%. O curioso é que na época em que o Grupo Pão de Açúcar (GPA) adotou uma precificação parecida com o modelo de atacarejo à bandeira do Extra Hiper, o Carrefour afirmou que a decisão levaria as lojas “ao cemitério”: “Um hipermercado que queira fazer o mesmo que o atacarejo é um hipermercado que vai diretamente ao cemitério”. Em outubro de 2021, as megalojas do Extra Hiper foram vendidas ao Assai.

No entanto, há motivos para fazer os formatos conviverem dentro do negócio. Braço financeiro da companhia, o Cartão Carrefour, usado nas lojas do grupo, teve faturamento de R$ 9 bilhões no primeiro trimestre ante R$ 5,9 bilhões do cartão do Atacadão. Ou seja, o hipermercado tem outras fontes de receita além das vendas e, assim, é relevante para a companhia. Atualmente, o grupo tem 100 lojas Carrefour Hiper e 350 do Atacadão. A Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo lembra que os formatos de hipermercado e atacarejo convivem em outras empresas com sucesso. Há diversos modelos na Região Nordeste praticando isso, inclusive com lojas divididas, com metade da área dedicada ao atacarejo e metade para o hiper ou supermercado. Esse pode ser um modelo de adaptação para lojas mais antigas de super ou hipermercados, que precisam de uma estratégia de preço para a jornada de abastecimento do cliente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.