12/Jun/2024
O agora ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, não pediu demissão da Pasta, mas sim foi exonerado e comunicado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, da sua saída. O ministro comunicou Neri Geller sobre a demissão diretamente do Palácio do Planalto, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do leilão de arroz importado. A informação contraria a versão oficial do governo. Carlos Fávaro afirmou que Neri Geller pediu demissão nesta terça-feira (11/06) e que ela foi aceita pelo governo. A compra pública de arroz importado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e as denúncias de supostas irregularidades e fraudes no leilão estão por trás da demissão de Geller. Isso porque a Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT), que negociou 116 mil toneladas das 263,3 mil toneladas vendidas no leilão, é presidida por Robson Luiz de Almeida França, ex-assessor parlamentar de Geller quando era deputado federal.
Além disso, a Foco Corretora de Grãos, empresa de França, foi a principal corretora do leilão. França também é sócio de Marcello Geller, filho do ex-secretário, em outras empresas. O ex-secretário negou o favorecimento a França e o envolvimento do seu filho, Marcello, no leilão. Lula cobrou uma resposta firme do governo federal à "crise do arroz" e o ex-ministro ficou na berlinda do Executivo. A apoiadores políticos e amigos próximos, Neri Geller garante que Marcello, apesar de não ter dado baixa na empresa, não operou na sociedade com França e tem dito que irá comprovar que foi "injustiçado" na história. Amigos próximos a Geller acreditam que não há ilicitude na participação de França no certame público e que o então secretário desconhecia o interesse do ex-assessor parlamentar no leilão. Também alegam que a participação de França no edital é legal e sujeita aos critérios da Conab com pagamento apenas quando o produto for entregue.
Interlocutores próximos ao ex-ministro e ex-secretário afirmam que Neri Geller saiu "chateado" e "magoado" com Fávaro, com sentimento de ter sido "bode expiatório" e "boi de piranha" para a crise do arroz. O ex-secretário tem dito a interlocutores que sua demissão foi motivada pela incompetência do governo em relação ao leilão e que sempre foi contrário ao leilão. Ele classifica, a interlocutores, que as Pastas foram "afoitas" na realização do leilão, o que levou ao cancelamento do primeiro leilão e que foi feito de forma aleatória forçadamente. Interlocutores também argumentam que, com a gestão compartilhada da Conab entre MDA e Agricultura, a formação de estoque público era de responsabilidade da Conab e não da secretaria de Política Agrícola. A mais próximos, Geller afirma que ainda avalia se vai entregar o cargo e se vai se manifestar à imprensa. Nos bastidores do Ministério da Agricultura, mesmo os mais afinados a Geller avaliam que sua permanência na Pasta era insustentável.
Era melhor ele ter pedido demissão do que ser exonerado. Mesmo com a empresa inativa, independentemente de haver ou não culpa, o fato era que o filho era sócio de uma vencedora do leilão. Neri Geller foi um dos principais interlocutores entre o agronegócio e o governo Lula ainda na campanha presidencial de 2022. Ex-deputado, foi candidato ao Senado em 2022 e teve o mandato cassado por abuso de poder econômico. Em dezembro do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reverteu a cassação e devolveu os direitos políticos de Geller, que então assumiu a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. Desde que entrou no governo, Geller assumiu a responsabilidade de reforçar a ponte com a bancada ruralista, da qual já foi vice-presidente, e diminuir a animosidade dos produtores com o Executivo. Fonte: Broadcast Agro.