05/Nov/2026
Segundo a StoneX, o mercado internacional de algodão entra em novembro com fatores de sustentação e pressão sobre as cotações. A China continua dependente de importações, mas poderá ter menos urgência para ampliar as cotas no início de 2027. Ao mesmo tempo, o balanço mundial deve voltar a apresentar consumo superior à produção, indicando redução dos estoques globais. A necessidade chinesa de algodão importado permanece, mas o momento e a intensidade das compras adicionais dependerão da relação entre os preços domésticos e internacionais. A reserva estatal chinesa vendeu aproximadamente 409 mil toneladas de algodão entre julho e setembro, volume cerca de dois terços inferior à média das campanhas realizadas entre 2018 e 2023. Apesar do menor volume ofertado, 99% do algodão disponibilizado encontrou compradores. O movimento está mais associado ao abastecimento entre safras e à rotação de estoques do que a uma situação de escassez, considerando que 81% do volume comercializado correspondia a safras antigas.
A atenção do mercado está concentrada nas cotas adicionais de importação autorizadas pelo governo chinês. No início de 2026, a diferença entre o preço doméstico e o custo do algodão importado, já considerados tarifas e tributos, chegou perto de 2.400 yuans por tonelada, maior nível para aquela época do ano desde 2018. Nesse contexto, a China anunciou em março uma cota adicional, cinco meses antes do que havia ocorrido em 2025. Em setembro, entretanto, a valorização das cotações internacionais reduziu esse diferencial para aproximadamente 700 yuans por tonelada. Caso a diferença permaneça nesse patamar mais estreito no início de 2027, a pressão para uma abertura antecipada de novas cotas deverá ser menor do que a observada em 2026. O balanço global oferece suporte adicional aos preços. O Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac) estima produção mundial de 25,75 milhões de toneladas em 2026/27, recuo de 4% em relação à temporada anterior.
O consumo deverá crescer 0,8%, para 26,1 milhões de toneladas. Com isso, a demanda superará a oferta em aproximadamente 353 mil toneladas, revertendo o excedente registrado em 2025/26 e sinalizando redução dos estoques mundiais. O Icac projeta o Brasil como maior exportador mundial de algodão, com 3,15 milhões de toneladas, à frente dos Estados Unidos. A StoneX elevou sua estimativa para as exportações brasileiras na safra 2025/26 para 3,4 milhões de toneladas, ante 3,3 milhões na projeção anterior, e espera ritmo acelerado de embarques no encerramento do ano. A perspectiva considera a oferta de uma safra robusta, a possibilidade de encerramento de um benefício tributário no fim de 2026 e a desvalorização do real após as eleições, fator que tende a favorecer a competitividade das vendas externas no curto prazo. Para a safra 2026/27, a StoneX aumentou a previsão de produção brasileira para 4 milhões de toneladas, ante 3,89 milhões estimadas no mês anterior.
A revisão reflete perspectivas mais favoráveis de produtividade na Bahia e em Mato Grosso, apoiadas por condições de área, avanços genéticos das sementes e melhorias no beneficiamento. Em Mato Grosso, a antecipação do plantio da soja também favorece o posicionamento da cultura do algodão de 2ª safra dentro da janela de semeadura. No mercado doméstico, a reação dos preços permanece limitada pela baixa liquidez. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, outubro foi marcado pela menor presença das indústrias no mercado físico. Os compradores priorizaram os estoques disponíveis e os volumes já contratados, enquanto os vendedores concentraram as negociações no cumprimento de contratos a termo. Na parte final do mês, a valorização do dólar elevou a paridade de exportação, referência do valor da pluma destinada ao mercado externo convertida para o mercado doméstico.
A partir de 26 de outubro, as cotações internas ficaram abaixo desse parâmetro, levando os vendedores a firmar suas posições e contribuindo para uma reação dos preços domésticos. O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra avanço de 1,7% nos últimos sete dias. Apesar da recuperação no fim do mês, o Indicador encerrou outubro com queda de 1,05%, a R$ 4,13 por libra-peso. Na Bolsa de Nova York, a colheita norte-americana continua sendo um fator de pressão. Assim, o mercado de algodão combina perspectivas distintas para os próximos meses. A possibilidade de menor urgência chinesa para ampliar as cotas de importação pode limitar a demanda adicional no início de 2027, enquanto o consumo mundial superior à produção e o avanço das exportações brasileiras oferecem sustentação. Em sentido contrário, o ritmo da colheita nos Estados Unidos e a postura cautelosa das indústrias no mercado físico restringem uma recuperação mais consistente das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.