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04/Nov/2026

Preços do algodão reagem com valorização do dólar

Na maior parte de outubro, o mercado interno de algodão em pluma foi marcado pela baixa liquidez, pela cautela de agentes e pela queda nos preços. Os vendedores realizaram negócios pontuais e deram prioridade ao cumprimento de contratos a termo. Do lado comprador, indústrias preferiram utilizar estoques e volumes já contratados e, com isso, estiveram menos ativas nas aquisições de novos lotes. A demanda enfraquecida ao longo da cadeia têxtil e as incertezas políticas e econômicas também afastaram agentes do mercado. Na reta final do mês, porém, a forte valorização do dólar frente ao Real elevou a paridade de exportação, e a cotação interna, que havia permanecido acima desse referencial durante a maior parte de outubro, passou a operar abaixo dele a partir do dia 26. Atentos a esse movimento, os vendedores firmaram suas posições, o que resultou em reação dos preços domésticos. Os agentes também aproveitaram os maiores valores externos para fechar novos contratos a termo, sobretudo os voltados à exportação, envolvendo tanto a pluma da safra 2025/26 quanto a da 2026/27.

No balanço mensal, entre 30 de setembro e 30 de outubro, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, caiu 1,05%, fechando em R$ 4,13 por libra-peso no dia 30. Nos últimos sete dias, no entanto, o Indicador registra avanço de 1,7%. Em média, a cotação interna ficou 1,3% acima da paridade de exportação no mês. Nos últimos sete dias, porém, opera, em média, 3,8% abaixo. A média mensal do Indicador foi de R$ 4,10 por libra-peso em outubro, retração de 4,47% em relação à média de setembro/26, mas aumento real de 12,52% frente ao de outubro/25 (valores deflacionados pelo IGP-DI de setembro/26). Em dólar, a média do Indicador foi de 79,95 centavos de dólar por libra-peso, 1,4% acima da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York, de 78,82 centavos de dólar por libra-peso, mas 11,9% abaixo da média do Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente (de 90,78 centavos de dólar por libra-peso).

A paridade de exportação (FAS) subiu 1,5% no mês, atingindo R$ 4,26 por libra-peso (78,21 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e R$ 4,27 por libra-peso (78,41 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR). O avanço ocorreu mesmo com a queda de 3,75% do Índice Cotlook A na mesma comparação, para 89,85 centavos de dólar por libra-peso no fim do mês passado. Na ICE Futures, entre os primeiros vencimentos, apenas o contrato Dezembro/26 se desvalorizou em outubro. Os demais encerraram o mês com leves altas: de 0,26% para o de Março/27, de 0,18% para o de Maio/27 e de 0,24% para o de Julho/27. Dados divulgados em 2 de novembro pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac) indicam que a produção mundial de algodão deve somar 25,75 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 4% em relação à temporada anterior, refletindo, sobretudo, as menores ofertas da China, do Brasil, do Paquistão e dos Estados Unidos.

O consumo global, por sua vez, deve crescer 0,8%, para 26,1 milhões de toneladas, sustentado especialmente pela atividade das indústrias têxteis asiáticas, com destaques para China, Índia, Paquistão, Vietnã e Turquia. Com isso, a demanda deve superar a produção em aproximadamente 353 mil toneladas, revertendo o excedente observado em 2025/26 e sinalizando possível redução dos estoques mundiais. As exportações globais, por outro lado, devem recuar 1,7%, para 9,75 milhões de toneladas. O Brasil deve se manter como o maior exportador mundial, com embarques estimados em 3,15 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, com 2,71 milhões de toneladas na safra 2026/27. Quanto aos preços, o Icac projeta que o Índice Cotlook A fique, em média, em 87,00 centavos de dólar por libra-peso na safra 2026/27, 8,75% acima do estimado no relatório anterior, com intervalo entre 73,00 centavos de dólar por libra-peso e 106,00 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.