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04/Nov/2026

MT: atraso na soja eleva risco para algodão 2ª safra

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) manteve a estimativa de produção de algodão em pluma de Mato Grosso na safra 2026/27 em 2,73 milhões de toneladas, volume 2,42% inferior ao registrado na temporada anterior. A alta dos preços sustenta a perspectiva de expansão da área cultivada, mas o avanço não deve compensar a redução esperada da produtividade. A área plantada permanece projetada em 1,43 milhão de hectares, aumento de 3,84% ante 2025/26. A valorização das cotações desde março elevou as expectativas de rentabilidade dos produtores durante o planejamento da safra. Na comparação com igual período de 2025, os preços na bolsa norte-americana e no mercado mato-grossense apresentam altas de 16,70% e 17,73%, respectivamente. A expansão deve se concentrar no algodão de 2ª safra, cultivado após a soja, cuja área foi mantida em 1,29 milhão de hectares, crescimento de 4,43%.

Para o algodão de 1ª safra, a estimativa é de 138,71 mil hectares, recuo de 1,36%. A produtividade do algodão em caroço, que corresponde à fibra ainda associada à semente antes do beneficiamento, segue estimada em 310,39 arrobas por hectare, queda de 6,01% em relação ao recorde da temporada 2025/26. Apesar da retração, o rendimento projetado seria o quarto maior da série histórica do Imea. A produção em caroço foi mantida em 6,65 milhões de toneladas, redução anual de 2,41%. As condições climáticas permanecem como fator de atenção para o desenvolvimento das lavouras. Segundo o instituto, a possível atuação do fenômeno El Niño aumenta o risco de irregularidade na distribuição das chuvas. Eventuais atrasos na colheita da soja também podem postergar a semeadura do algodão de 2ª safra, ampliando a exposição das plantações à falta de água durante o ciclo produtivo.

No balanço de oferta e demanda de pluma, a fibra já separada da semente, as exportações de 2026/27 foram projetadas em 2,14 milhões de toneladas, alta de 2,74% ante a temporada anterior. O consumo das fiações de Mato Grosso deve aumentar 11,47%, para 44,95 mil toneladas, enquanto os envios para outros Estados tendem a recuar 0,30%, para 604,61 mil toneladas. A demanda total da próxima temporada está estimada em 2,79 milhões de toneladas, crescimento de 2,19%. A oferta, que inclui os estoques iniciais, deve alcançar 3,64 milhões de toneladas, queda de 0,16%. Nesse cenário, o estoque final foi projetado em 850,39 mil toneladas, redução de 7,19% em relação a 2025/26. Desse volume, 830,58 mil toneladas correspondem à pluma já comercializada, mas ainda não embarcada, ao encerramento do ciclo comercial, que se estende de agosto a julho.

A parcela ainda disponível para negociação no fim da temporada foi estimada em 19,80 mil toneladas, recuo de 13,49% na comparação anual. Para 2025/26, a demanda de pluma permanece projetada em 2,73 milhões de toneladas, queda de 0,17% ante a safra anterior. As exportações devem somar 2,09 milhões de toneladas, aumento de 0,22%. Até setembro, Brasil e Mato Grosso registraram o segundo maior volume exportado da série histórica para o início do ciclo comercial, sinalizando perspectivas de continuidade dos embarques ao longo da temporada. O estoque final de 2025/26 foi estimado em 916,24 mil toneladas, aumento anual de 7,20%. Desse total, 893,35 mil toneladas deverão estar comercializadas, com escoamento previsto para o ciclo seguinte, enquanto 22,89 mil toneladas permaneceriam disponíveis para venda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.