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19/Oct/2026

Preços do algodão impulsionados pela menor oferta

Segundo a StoneX, as cotações do algodão chegam ao último trimestre de 2026 no maior nível desde janeiro de 2024. A valorização combina oferta mundial mais restrita, petróleo mais caro e atuação de fundos especulativos. Esses fatores, contudo, também podem perder força e limitar novas altas, diante dos riscos de desaceleração econômica e redução do consumo global. Três vetores contribuíram para a valorização ao longo de 2026. O primeiro é a alta do petróleo, que elevou os custos do poliéster, concorrente direto do algodão na indústria têxtil, melhorando as perspectivas de demanda pela fibra natural. O segundo está relacionado à geopolítica, com as tensões no Mar Negro acrescentando prêmio de risco aos mercados de energia e de produtos agrícolas. O terceiro, considerado o fator provavelmente mais importante, envolve os fundamentos do mercado, com oferta global restrita e consumo em crescimento.

Pelo lado da oferta, a redução da produção está distribuída entre importantes países produtores. Nos Estados Unidos, a safra deve recuar 5,3%, em meio ao calor e à falta de chuvas no Texas e na região do Delta. No fim de setembro, apenas 35% das lavouras norte-americanas estavam classificadas em condições boas ou excelentes, percentual historicamente baixo. Na Austrália, a produção deve diminuir cerca de um terço, devido aos efeitos do El Niño e à redução da área plantada. O fenômeno climático, associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, altera os padrões de chuvas e temperaturas. Na Ásia, também há riscos para a produção. Na China, a safra está estimada em 7,8 milhões de toneladas, queda de 6,4%, com possibilidade de novos cortes caso persistam as condições de calor e seca em Xinjiang, principal região produtora do país.

Na Índia, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ainda projeta uma produção ligeiramente superior à do ano anterior, embora as chuvas tenham ficado abaixo da média em importantes Estados produtores. Caso o El Niño mantenha condições climáticas adversas na Índia e no Paquistão, a Índia, segunda maior consumidora mundial de algodão, poderá voltar a reduzir tarifas de importação, ampliando a demanda externa. Pelo lado do consumo, Bangladesh, Paquistão e Vietnã, responsáveis conjuntamente por cerca de 47% das importações globais de algodão, devem ampliar a demanda em 4,9% na safra 2026/2027. O avanço das compras desses países contribui para sustentar o balanço mundial em um cenário de oferta mais restrita. No Brasil, a estimativa indica produção de 3,89 milhões de toneladas de algodão em 2026/2027, redução de 5,3% ante aproximadamente 4,1 milhões de toneladas em 2025/2026.

A queda está projetada apesar do aumento de 5,9% da área plantada, para 2,098 milhões de hectares, uma vez que a produtividade deve recuar 10,6%. Os preços mais firmes melhoraram a rentabilidade da cultura e tendem a estimular a expansão da área, mas os rendimentos elevados registrados na temporada atual podem ser difíceis de repetir. Para as exportações brasileiras de 2025/2026, a StoneX mantém a estimativa de 3,3 milhões de toneladas. O Brasil deve continuar como fornecedor relevante para os importadores, especialmente em um ciclo no qual outros grandes exportadores enfrentam problemas climáticos e reduções de produção. Apesar do cenário de sustentação, a inflação e o risco de desaceleração econômica podem provocar revisões para baixo nas projeções de consumo global, reduzindo parte do aperto entre oferta e demanda. O prêmio de risco associado às tensões geopolíticas também pode diminuir, retirando parte da valorização incorporada aos mercados de commodities caso haja melhora do cenário internacional.

A atuação dos fundos especulativos representa outro fator de atenção. A ampliação das posições compradas, que refletem apostas na valorização dos preços, contribuiu para intensificar o movimento de alta. Uma eventual redução dessas posições poderá provocar ajustes nas cotações e aproximá-las de níveis mais equilibrados. Entre os indicadores a monitorar estão o desempenho da safra do Paquistão e o ritmo das compras chinesas. No Paquistão, o calor excessivo levantou dúvidas sobre as condições das lavouras, e uma quebra mais acentuada poderá aumentar a necessidade de importações. Na China, o avanço da colheita e a entrada na entressafra tornam o comportamento das compras um dos principais fatores para a evolução do balanço mundial de algodão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.