19/Oct/2026
Segundo projeções da Confi/Neotrust e do E-Commerce Brasil, as vendas online no Brasil durante a Black Friday, de 26 a 29 de novembro de 2026, devem alcançar R$ 13,3 bilhões, crescimento de 20,7% em relação ao ano anterior. O volume estimado é de 69,4 milhões de produtos vendidos, alta de 15,4%. Apesar da expansão, o evento deve favorecer um grupo menor de empresas, com plataformas financeiramente mais sólidas ampliando sua participação diante das dificuldades de concorrentes tradicionais. O crescimento do comércio eletrônico mantém uma trajetória estrutural, mas ocorre em um ambiente de juros elevados, endividamento expressivo das famílias e restrições de renda, fatores que continuam limitando o consumo. A expansão reflete principalmente a migração de compras para os canais digitais, a concorrência por preços e a redistribuição de participação de mercado, e não necessariamente uma recuperação consistente da demanda.
Nesse cenário, Mercado Livre, Amazon e Shopee estão posicionados para absorver parte das vendas de concorrentes com maior fragilidade financeira. Essas plataformas contam com infraestrutura logística, variedade de produtos, competitividade de preços e capacidade de investimento em marketing. O Magazine Luiza também pode se beneficiar da redistribuição das vendas, apoiado pela expansão de sua presença em marketplaces de terceiros e pela possibilidade de conquistar participação nas lojas físicas após as dificuldades financeiras da Casas Bahia. A concorrência, entretanto, permanece intensa nas categorias de produtos de maior valor unitário. O calendário promocional também vem se ampliando, com a Black Friday se estendendo para um período conhecido como Black Month.
Em 2025, os quatro dias tradicionais do evento responderam por apenas 23,5% das vendas online de novembro, que totalizaram R$ 47 bilhões. Para 2026, o evento promocional de 11 de novembro deve movimentar R$ 3,17 bilhões, crescimento de 21% em 12 meses. A ampliação do período de promoções tende a favorecer empresas com capacidade de ajustar preços por meio de algoritmos, administrar estoques e sustentar descontos durante várias semanas. A disponibilidade de recursos financeiros e a eficiência operacional ganham importância para manter a competitividade sem comprometer as margens. Os indicadores de consumo dos primeiros nove meses de 2026 também apontam restrições no orçamento dos consumidores. O número de pedidos no comércio eletrônico aumentou 34,9%, para 1,20 bilhão, enquanto o tíquete médio recuou 13,4%, para R$ 268,20.
A combinação de mais pedidos e cestas de menor valor reforça a sensibilidade dos consumidores aos preços e pode pressionar a rentabilidade das operações de entrega. Nesse contexto, a densidade logística, a receita com publicidade e a eficiência operacional tornam-se fatores relevantes para sustentar os resultados. O aumento do volume de vendas, isoladamente, não garante maior rentabilidade, especialmente quando a competição por preços reduz as margens e o menor valor médio dos pedidos eleva o peso relativo dos custos de distribuição. Por categorias, os eletrodomésticos devem liderar o faturamento da Black Friday em 2026, seguidos por moda e acessórios e por beleza e fragrâncias. Além do crescimento agregado das vendas, o principal aspecto a acompanhar será a redistribuição da participação de mercado entre as plataformas e a capacidade das empresas de transformar o aumento do volume bruto de mercadorias (GMV) em geração adicional de lucro e caixa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.