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15/Oct/2026

Preços do algodão sustentados pelo déficit global

O mercado global de algodão chega ao último trimestre com recuperação do consumo e demanda acima da produção, cenário que oferece sustentação às cotações. Entretanto, a revisão para cima das estimativas de oferta e estoques pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) limita uma reação mais expressiva dos preços no curto prazo. Segundo a StoneX, o consumo mundial deve crescer cerca de 1,5% em relação à temporada anterior, enquanto a produção recua aproximadamente 3,8%. A demanda global deve superar a oferta em quase 5% na temporada 2026/27. No Brasil, o Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra recuo de 2,3% nos últimos sete dias, para R$ 4,09 por libra-peso, levando a desvalorização acumulada no mês a 1,84%. Até 9 de outubro, a cotação doméstica permaneceu, em média, 5% acima da paridade de exportação (FAS), que encerrou a R$ 3,92 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e a R$ 3,93 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR).

O mercado interno segue marcado pela cautela das indústrias, que priorizam estoques e contratos já firmados, realizam compras pontuais e, em alguns casos, apresentam ofertas abaixo dos preços pedidos pelos vendedores. A forte desvalorização do dólar ante o Real reforça essa postura e limita a disposição dos compradores para novas aquisições. O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou as projeções de produção e estoques mundiais, mas manteve o consumo acima da oferta. A estimativa para a safra global de algodão 2026/27 aumentou 0,5% em relação a setembro, para 25,68 milhões de toneladas, com revisões positivas para Brasil e Estados Unidos. Apesar do ajuste, a produção projetada permanece 3,4% abaixo da temporada anterior e inferior ao consumo estimado em 26,80 milhões de toneladas. Pelos cálculos do USDA, o déficit entre consumo e produção é de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, equivalente a 4,35% da produção projetada.

Os estoques finais mundiais foram revisados para 15,39 milhões de toneladas, volume 6,6% inferior ao registrado em 2025/26. A atualização do balanço global pressionou os preços no curto prazo ao ampliar as estimativas de produção e estoques, mas preservou fundamentos potencialmente favoráveis no médio prazo, diante da perspectiva de consumo superior à oferta. Esse quadro contribui para a dificuldade de definição de uma tendência consistente na Bolsa de Nova York. A média do primeiro vencimento na ICE Futures US ficou em 80,8 centavos de dólar por libra-peso em setembro, queda de 5% ante agosto, em movimento de correção após a forte alta do mês anterior. A expectativa é de consumo superior à produção. A valorização do petróleo, que reduz a atratividade das fibras sintéticas, também favorece o algodão. A alternância entre fatores de sustentação da demanda e revisões positivas da oferta mantém o mercado internacional sem uma direção consolidada.

A recuperação do consumo também tende a se refletir no comércio internacional. A StoneX projeta aumento das importações de Paquistão, Turquia, Vietnã e Bangladesh, após anos de comportamento irregular da demanda. Esses mercados passaram por recuperação do consumo no período pós-pandemia, seguida por preços baixos e enfraquecimento da demanda, contexto que abre espaço para retomada das compras. Nesse rearranjo comercial, o Brasil ampliou sua relevância e responde por cerca de 35% das exportações globais de algodão, após o forte crescimento da produção nas últimas três temporadas. A expansão da oferta brasileira está associada à produtividade, à qualidade da fibra e ao menor custo de produção. O USDA estima que os embarques brasileiros alcancem 3,484 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 3,3% ante o ciclo anterior, o que poderá representar o quarto recorde consecutivo.

A Turquia, com importações projetadas em 1,481 milhão de toneladas, tem o Brasil como principal fornecedor desde a temporada 2024/25, à frente dos Estados Unidos. O avanço brasileiro no comércio internacional reforça a posição do País no abastecimento de mercados consumidores, em um cenário de recuperação das importações e de reorganização dos fluxos globais. Em contraste com o desempenho exportador, a indústria têxtil brasileira continua enfraquecida. Em agosto, a produção de têxteis recuou 0,6% ante julho e 6,1% na comparação anual, enquanto a fabricação de artigos de vestuário caiu 3,3% na comparação mensal e 10,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração industrial limita a absorção doméstica da fibra e mantém o mercado interno dependente, em maior medida, das condições de exportação.

Para a safra 2026/2027, o Itaú BBA identifica condições favoráveis a uma nova expansão do algodão de 2ª safra, considerando que o plantio da soja avança em Mato Grosso dentro da janela ideal. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta aumento de aproximadamente 4% na área cultivada com algodão no Estado. Mesmo diante da expectativa de crescimento da demanda externa, o aumento da produção brasileira poderá elevar os estoques domésticos e limitar valorizações mais expressivas. Assim, a evolução das cotações dependerá do equilíbrio entre a recuperação do consumo mundial, a oferta disponível e a capacidade de absorção dos mercados interno e externo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.