15/Oct/2026
Segundo o Itaú BBA, a maior disponibilidade global de algodão deve limitar a recuperação dos preços no curto prazo, embora o consumo mundial superior à produção preserve fundamentos favoráveis às cotações no médio prazo. A previsão é de expansão da área brasileira de algodão na 2ª safra de 2027, favorecida pelo ritmo de plantio da soja. Em Mato Grosso, o avanço da semeadura da soja sinaliza condições favoráveis para a implantação do algodão de 2ª safra dentro da janela ideal. Nesse contexto, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta aumento de aproximadamente 4% na área destinada à cultura no Estado em 2026/27, em comparação com o ciclo anterior. A evolução do calendário da soja será relevante para a definição da área e para o potencial produtivo do algodão, uma vez que atrasos na primeira cultura podem comprometer a janela de implantação da segunda.
Apesar da demanda externa e do avanço das exportações brasileiras, a perspectiva de produção elevada pode ampliar os estoques domésticos e restringir valorizações mais expressivas. Na safra 2025/26, o Brasil registrou embarques recordes de 3,4 milhões de toneladas, ampliando sua presença em mercados como Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia. O desempenho reforça a posição brasileira no comércio internacional, mas a evolução dos preços dependerá também do equilíbrio entre a oferta disponível e a demanda dos principais compradores. No mercado físico, o algodão em Rondonópolis (MT) registrou preço médio de R$ 3,99 por libra-peso em setembro, alta de 2,1% em relação a agosto, apesar da queda das cotações na Bolsa de Nova York. A valorização no mercado interno refletiu a influência do câmbio, a demanda externa e a postura mais firme dos vendedores.
Os produtores restringiram a oferta de volumes maiores à espera de oportunidades comerciais mais favoráveis, enquanto a indústria realizou compras pontuais. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção mundial de algodão em 2026/27 de 25,5 milhões para 25,7 milhões de toneladas, com revisões positivas para Brasil e Estados Unidos. A projeção de estoques finais também aumentou, de 15,2 milhões para 15,4 milhões de toneladas. Apesar da ampliação da oferta e dos estoques, o consumo global permanece projetado em nível superior à produção, com déficit estimado em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas. A revisão do USDA representa um fator de pressão sobre os preços no curto prazo, devido ao aumento da produção e dos estoques projetados.
No médio prazo, porém, a perspectiva de consumo superior à oferta mantém fundamentos potencialmente favoráveis, desde que a demanda se confirme e o balanço global continue apresentando déficit. Na Bolsa de Nova York, a cotação média do primeiro vencimento foi de 80,80 centavos de dólar por libra-peso em setembro, queda de 5% ante agosto. O recuo refletiu uma correção após a forte valorização do mês anterior, em um ambiente marcado pela cautela da indústria têxtil em relação às compras e pela concorrência das fibras sintéticas. O mercado de algodão combina, portanto, fatores de pressão imediata e sustentação futura. O aumento da produção e dos estoques pode limitar a recuperação das cotações no curto prazo, enquanto o déficit global projetado e a expansão das exportações brasileiras contribuem para o suporte ao mercado no médio prazo. No Brasil, o ritmo de plantio da soja e a preservação da janela da 2ª safra serão determinantes para a evolução da área algodoeira em 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.