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14/Oct/2026

Preços do algodão seguem pressionados no Brasil

Os preços do algodão em pluma no mercado interno, que já haviam recuado no mês anterior, continuam em baixa neste início de outubro, mas seguem acima da paridade de exportação. A pressão vem da retração das cotações internacionais, do menor interesse por novas aquisições e da preferência das indústrias pelo cumprimento de contratos já firmados, em detrimento de novas negociações. A cautela dos agentes é reforçada pela forte desvalorização do dólar frente ao Real. Boa parte das indústrias tem priorizado o uso da fibra contratada e/ou de estoques. Além disso, algumas empresas buscam adquirir matéria-prima a preços inferiores aos praticados por vendedores, o que dificulta o fechamento de novos negócios e pressiona as cotações. O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra recuo de 2,3% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,09 por libra-peso. Na parcial de outubro, o Indicador acumula queda de 1,84%.

Ainda assim, neste início de mês, a cotação interna permanece, em média, 5% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de 3,92 por libra-peso (78,78 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e ade R$ 3,93 por libra-peso (78,99 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os quatro primeiros contratos apresentam pequenas oscilações no balanço dos últimos sete dias. O vencimento de Dezembro/26 é o único a recuar, 0,32%. Os contratos Março/27, Maio/27 e Julho/27 registram altas de 0,12%, 0,25% e 0,26%, respectivamente, nos últimos sete dias. O contrato Outubro/26, por sua vez, está cotado a 76,21 centavos de dólar por libra-peso, com avanço de 1,9% nos últimos sete dias.

No relatório divulgado em 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou a produção mundial de algodão em pluma em 25,68 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 0,5% frente à projeção de setembro, mas queda de 3,4% em relação à temporada anterior. Para o Brasil, o USDA elevou a estimativa de produção em 2,7%, para o recorde de 4,137 milhões de toneladas. O volume representa aumento de 1,3% em relação à safra 2025/26. Nos Estados Unidos, a projeção também foi revisada para cima, para 1,8%, para 2,927 milhões de toneladas, embora permaneça 3,3% abaixo da produção da temporada anterior. O consumo mundial foi estimado em 26,798 milhões de toneladas, volume 0,1% superior à projeção anterior e 1,9% acima do registrado no ciclo passado. A estimativa supera a produção em 4,35%, indicando redução dos estoques globais ao longo da temporada, caso as projeções se confirmem. As transações internacionais foram reajustadas positivamente em 1,1%, para 9,7 milhões de toneladas. Na comparação com a safra 2025/26, contudo, as importações mundiais devem recuar 0,7%, e as exportações, 2,5%.

Para o Brasil, o USDA elevou a estimativa de exportação em 3,32% em relação ao relatório anterior, para 3,484 milhões de toneladas. O volume representa alta de 3,3% em relação à safra 2025/26 e pode ser um novo recorde pelo quarto ano consecutivo. O relatório também destacou a Turquia, cujas importações de algodão devem alcançar 1,481 milhão de toneladas na safra 2026/27. O Brasil se consolidou como principal fornecedor a esse país desde a temporada 2024/25, superando os Estados Unidos. A competitividade dos preços da pluma brasileira favorece essa posição em um cenário de pressão da inflação e dos custos de energia sobre a indústria têxtil local. Os estoques mundiais foram estimados em 15,389 milhões de toneladas, elevação de 1,2% frente à projeção anterior, mas queda de 6,6% em relação à temporada passada. Nos Estados Unidos, o valor médio recebido pelo produtor na safra 2026/27 foi projetado em 77,00 centavos de dólar por libra-peso, abaixo dos 78,00 centavos de dólar por libra-peso estimados em setembro, recuo de 1,28%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.