09/Oct/2026
A redução da produção nos principais países fornecedores e o encarecimento do poliéster provocado pela alta do petróleo devem continuar dando sustentação aos preços internacionais do algodão nos próximos meses. A valorização registrada em 2026 interrompeu dois anos de preços baixos e combina restrições de oferta com a entrada de recursos de fundos no mercado de commodities. Entre o fim de agosto e o início de setembro, os contratos de algodão na Bolsa de Nova York atingiram as máximas do ano e os maiores níveis desde janeiro de 2024. O principal fator de suporte, contudo, está relacionado à redução dos estoques mundiais. As estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a relação entre reservas e consumo deve recuar para o menor nível desde 2010/11 na temporada 2026/27, em um cenário que combina crescimento da demanda e menor disponibilidade da fibra em diferentes origens. A redução da produção ocorre em diversos países produtores, sem concentração em apenas uma origem.
A recomposição da oferta tende a ocorrer mais adiante, com perspectiva de reequilíbrio principalmente em 2027. Até lá, as restrições de abastecimento devem permanecer entre os principais fatores de influência sobre as cotações. Nos Estados Unidos, a ampliação da área plantada foi acompanhada por problemas de produtividade durante o verão. As temperaturas elevadas contribuíram para a deterioração das condições das lavouras. A StoneX aponta queda de 5,3% na produção norte-americana. Apenas 34% das plantações estavam classificadas em condições boas ou excelentes na última semana de setembro, 13% abaixo do registrado um ano antes. Na China, maior produtora e consumidora mundial de algodão, a expectativa é de menor produção e estoques mais apertados. A StoneX projeta a colheita chinesa em 7,79 milhões de toneladas, recuo de 6,4% ante a temporada anterior. O tempo quente e seco em Xinjiang permanece como fator de risco para novos cortes nas estimativas de produção.
Na Índia, o USDA ainda prevê uma colheita levemente superior à da temporada anterior, mas a irregularidade das chuvas aumenta a incerteza sobre o resultado. Uma eventual quebra da produção indiana poderia elevar a necessidade de importações do país e aumentar sua participação no comércio internacional de algodão. Uma nova redução das tarifas de importação também pode movimentar o mercado, após a medida adotada neste ano, válida até o fim de outubro. O petróleo acrescenta suporte aos preços do algodão por meio da concorrência com as fibras sintéticas. A valorização da commodity eleva os custos do poliéster, derivado do petróleo que concorre com o algodão na indústria têxtil, aumentando a competitividade relativa da fibra natural e favorecendo as perspectivas de demanda pela pluma. As tensões geopolíticas também estimularam a entrada de recursos de fundos em commodities como proteção contra a inflação, contribuindo para a valorização dos preços. No Brasil, a recuperação das cotações já influencia as decisões de plantio para a safra 2026/27.
A StoneX estima aumento superior a 100 mil hectares na área cultivada, equivalente a expansão de aproximadamente 5%. O movimento está associado à melhora das perspectivas de rentabilidade da cultura. Apesar da expansão da área, a consultoria trabalha com cenário-base de queda da produção devido à possibilidade de redução da produtividade. O rendimento registrado em 2025/26 foi elevado e pode não se repetir. A estimativa para a safra recém-colhida é de 4,09 milhões de toneladas de pluma. O El Niño também permanece como fator de atenção para a produção brasileira, especialmente no início de 2027, diante dos possíveis efeitos sobre temperatura e regime de chuvas nas regiões produtoras. Entre os fatores que podem limitar a valorização do algodão estão a disponibilidade brasileira após a colheita e a perspectiva de expansão da área plantada no País. A desaceleração da atividade econômica e os juros elevados também podem restringir o consumo de produtos têxteis. No mercado financeiro, uma eventual redução das posições compradas dos fundos e a diminuição das tensões geopolíticas poderiam moderar o movimento de alta das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.