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08/Oct/2026

Oferta global menor sustenta os preços do algodão

O mercado de algodão mantém perspectiva mais firme para os próximos meses, apesar da correção recente das cotações na Bolsa de Nova York, sustentado pela expectativa de menor oferta mundial, estoques mais ajustados e riscos climáticos nos principais países produtores. O cenário de oferta mais restrita decorre principalmente da redução da produção esperada nos Estados Unidos, na Austrália e na China, enquanto os estoques mundiais tendem a ficar mais apertados. Os riscos associados ao El Niño também reforçam a possibilidade de menor disponibilidade na safra 2026/27. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de algodão em 25,5 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 4% ante o ciclo anterior. Nos Estados Unidos, a produção é estimada em 2,9 milhões de toneladas, recuo de 5%. O Texas concentra uma das principais áreas de atenção, com 77% das lavouras apresentando deficiência hídrica. A perspectiva de oferta mais ajustada também aparece nas projeções do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac).

A entidade estima produção mundial de 25,94 milhões de toneladas em 2026/27, 3,85% abaixo da temporada anterior, enquanto o consumo deve alcançar 26,14 milhões de toneladas. A demanda, portanto, supera a produção, e os estoques finais são projetados em 17,5 milhões de toneladas, queda de 1,14% na comparação anual. No curto prazo, contudo, a Bolsa de Nova York permanece sob pressão. O contrato com vencimento em dezembro recuava 0,95% nesta quarta-feira, para 80,44 cents por libra-peso, influenciado pelo fortalecimento do dólar e pela realização de lucros. Em setembro, o mesmo vencimento acumulou queda de 15,7%. A colheita norte-americana também avança em ritmo superior à média histórica, alcançando 23% da área, ante média de 21%. Apenas 33% das lavouras estavam em condição boa ou excelente. Apesar do avanço dos trabalhos, o clima ainda impede uma leitura mais baixista para os preços. A Tempestade Tropical Isaías, no Golfo do México, pode provocar chuvas intensas no Delta e no Sudeste dos Estados Unidos, interromper a colheita e prejudicar capulhos já abertos.

Os estoques certificados de algodão na ICE permanecem baixos, em 22.191 fardos, reforçando a percepção de disponibilidade mais restrita. O petróleo também atua como fator de suporte para a fibra natural. A guerra entre Estados Unidos e Irã elevou as cotações da commodity e aumentou a competitividade do algodão em relação às fibras sintéticas derivadas de produtos petroquímicos. A manutenção do conflito tende a tornar mais lenta a recomposição dos estoques de energia, mesmo em um cenário de eventual normalização do fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz. O WTI era negociado próximo de US$ 90,00 por barril nesta quarta-feira (07/10), mantendo elevada a vantagem relativa das fibras naturais diante do encarecimento das matérias-primas petroquímicas. No Brasil, a valorização internacional registrada nos últimos meses não impediu a queda das cotações no mercado físico em setembro. O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, recuou 4,37% no mês passado, para R$ 4,1738 por libra-peso em 30 de setembro.

Ainda assim, a média de setembro, de R$ 4,30 por libra-peso, foi 1,46% superior à de agosto e a maior, em termos reais, desde junho de 2025. Em 6 de outubro, o preço nacional Esalq fechou em R$ 4,16 por libra-peso. A maior oferta decorrente do avanço do beneficiamento encontrou uma demanda doméstica sem força suficiente para absorver os volumes disponíveis. As indústrias seguem utilizando estoques e contratos adquiridos anteriormente e concentram novas compras nas necessidades imediatas. Ao mesmo tempo, parte dos vendedores flexibiliza os preços para concluir negócios, enquanto a paridade de exportação perdeu força. Entre 31 de agosto e 30 de setembro, a paridade recuou 8%, para R$ 4,20 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e R$ 4,21 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR). O movimento refletiu principalmente a queda de 7,85% do Índice Cotlook A. Apesar do recuo da referência externa, a cotação doméstica permaneceu, em média, 0,3% acima da paridade durante setembro. As exportações seguem compensando parcialmente a fraqueza da indústria brasileira. O Brasil embarcou 191,55 mil toneladas de algodão em setembro, alta de 7,1% ante igual mês de 2025, enquanto a receita aumentou 14,4%, para US$ 332,44 milhões. O preço médio exportado avançou 6,8%.

De janeiro a setembro, os embarques alcançaram 2,294 milhões de toneladas, aumento de 19,1% na comparação anual. Para a safra brasileira 2026/27, a expectativa do Bradesco é de leve crescimento da produção, sustentado pela expansão da área, apesar da perspectiva de menor produtividade. O retorno gradual das chuvas tende a favorecer o início do plantio, mas a produção de algodão em 2ª safra dependerá diretamente do calendário da soja. Eventuais atrasos no plantio e no desenvolvimento da oleaginosa podem reduzir a janela disponível para a implantação da fibra. O mercado brasileiro, portanto, combina fundamentos internacionais favoráveis, associados à menor oferta global, estoques mais ajustados e petróleo elevado, com fatores de pressão no curto prazo, como dólar forte, realização de lucros e avanço da colheita norte-americana. No Brasil, a evolução da demanda doméstica, das exportações e, principalmente, do calendário da soja será determinante para a formação da oferta de algodão em 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.