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01/Oct/2026

Oferta global menor limita pressão sobre preços

O mercado internacional de algodão encerrou setembro dividido entre a pressão de curto prazo provocada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e as incertezas sobre a demanda chinesa, de um lado, e fundamentos de oferta mais restrita para o fim de 2026 e o início de 2027, de outro. A perspectiva de menor disponibilidade nos principais países produtores tende a limitar a pressão sobre as cotações internacionais no médio prazo. Na Bolsa de Nova York, o contrato para dezembro após a melhora das condições das lavouras norte-americanas. O mercado também acompanha a exclusão do algodão da lista de isenções tarifárias concedidas pela China a produtos agrícolas dos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, a colheita alcançou 17% da área, acima da média de cinco anos, de 15%, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As lavouras classificadas em condição boa ou excelente representavam 35% da área, ante 34% na semana anterior. No Texas, principal Estado produtor, apenas 18% das lavouras estavam nessas condições. A entrada da nova safra amplia a disponibilidade justamente em um momento de cautela em relação às vendas externas. O petróleo atua em sentido contrário. O WTI avançava 2,52%, para US$ 91,12 por barril, aumentando a competitividade do algodão frente às fibras sintéticas, como o poliéster. O encarecimento da fibra concorrente oferece suporte à demanda por algodão, embora um ambiente geopolítico mais conturbado também possa elevar a inflação e pressionar negativamente o consumo de produtos têxteis. Pelo lado da oferta, o cenário global oferece sustentação adicional às cotações.

O Cotton Outlook estima produção mundial de algodão em 25,38 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 6,37% ante a temporada atual. O consumo é projetado em 26,42 milhões de toneladas, aproximadamente 1,04 milhão de toneladas acima da produção. O déficit corresponde a cerca de 4% da oferta global e tende a reduzir os estoques ao fim da temporada. A China também deverá permanecer dependente do mercado externo. O Cotton Outlook projeta produção chinesa de 7,4 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 5,73% ante o ciclo anterior, enquanto o consumo é estimado em 9,1 milhões de toneladas. A menor oferta nos Estados Unidos e na China, a redução da área cultivada na Austrália e os riscos produtivos na Índia são fatores adicionais que podem restringir a disponibilidade mundial de algodão.

No Brasil, o cenário internacional mais firme ainda encontra um mercado físico de baixa liquidez. O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra queda de 3,74% em setembro. Os negócios permanecem pontuais, com os agentes concentrados no cumprimento de contratos a termo, principalmente aqueles destinados à exportação. As indústrias mantêm compras direcionadas às necessidades imediatas e, em alguns casos, oferecem valores menores diante do desempenho fraco das vendas de produtos manufaturados. Os vendedores, por sua vez, apresentam menor necessidade de negociação por estarem capitalizados por contratos fechados anteriormente. Nesse ambiente, os preços no mercado spot oscilaram entre R$ 4,19 e R$ 4,22 por libra-peso.

A paridade de exportação ganhou força no fim de setembro. A paridade Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 4,25 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,26 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR). O movimento refletiu a valorização do Índice Cotlook A e do dólar ante o Real. Os embarques brasileiros também aceleraram. Em 18 dias úteis de setembro, o Brasil exportou 166 mil toneladas de algodão em pluma, volume 55,8% superior ao de agosto, mas ainda 7,3% abaixo de setembro de 2025. A média diária alcançou 9,2 mil toneladas, alta de 13,3% na comparação anual. A StoneX projeta exportações brasileiras de 3,3 milhões de toneladas na safra 2025/26 e prevê expansão dos embarques no último trimestre do ano.

Para a safra 2026/27, a StoneX estima produção brasileira de 3,89 milhões de toneladas, queda de 5,3% ante as 4,11 milhões de toneladas projetadas para a temporada atual. A retração deve ocorrer apesar do aumento de 5,9% da área cultivada, para 2,098 milhões de hectares, porque a produtividade média é projetada em 1,85 tonelada por hectare, queda de 10,6%. A expansão da área para 2026/27 está associada à perspectiva de preços internacionais mais favoráveis. Na safra atual, a StoneX elevou a produtividade projetada para a Bahia para 2,21 toneladas por hectare após resultados acima do esperado nas lavouras. Em Mato Grosso, o avanço da colheita confirmou rendimentos dentro das projeções da consultoria. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.