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24/Sep/2026

Guerra reduz vantagem do poliéster ante fibra natural

A volatilidade provocada pela guerra no Oriente Médio sobre o petróleo e os preços do poliéster pode melhorar a posição competitiva do algodão diante das fibras sintéticas. O poliéster vinha ampliando sua participação na demanda têxtil por combinar preço mais baixo, fornecimento contínuo e qualidade padronizada, mas a maior incerteza sobre energia e logística reduziu parte dessa vantagem. Em conferências internacionais do setor realizadas nos últimos dois anos, uma das avaliações apresentadas era de que o poliéster tenderia a avançar sobre a demanda por algodão. O material sintético apresentava preço próximo de 40,00 centavos de dólar por libra-peso, além de oferta contínua, entrega em curto prazo e padrão de qualidade. Com a guerra no Oriente Médio, contudo, o cenário passou a incorporar maior volatilidade nos preços do petróleo e do poliéster.

A mudança aumenta a incerteza para a indústria têxtil em relação aos custos e à disponibilidade da fibra sintética. Como o aumento dessa incerteza está concentrado no poliéster, enquanto o algodão apresenta menor exposição direta a esse fator energético, o cenário pode contribuir para fortalecer a demanda pela fibra natural. A previsibilidade dos preços do algodão, porém, também é considerada importante para a expansão do consumo. A forte valorização registrada em 2011, quando as cotações chegaram próximas de US$ 2,00 por libra-peso, provocou destruição de demanda. Nesse contexto, a redução da volatilidade das cotações tende a favorecer o crescimento do consumo mundial de algodão. O Brasil ampliou sua participação no mercado internacional principalmente por meio da ocupação de espaço de outros países produtores, em um ambiente de demanda mundial relativamente estável.

O desafio passa a ser ampliar o consumo global para criar espaço adicional para a expansão da produção brasileira. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) pode participar da condução de um projeto voltado ao estímulo do consumo mundial da fibra. Entre as possibilidades está o apoio à indústria têxtil no desenvolvimento de novas tecnologias e produtos, incluindo tecidos que combinem algodão e poliéster. A expansão da demanda mundial tende a abrir espaço adicional para a produção brasileira. O País dobrou a área cultivada com algodão nos últimos 20 anos e poderia repetir esse movimento em uma ou duas décadas, desde que exista demanda suficiente para absorver o aumento da oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.