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23/Sep/2026

Brasil: expansão da área de algodão em 2026/27

Segundo projeção da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a área plantada com algodão no Brasil deve crescer entre 8% e 10% na safra 2026/27. A entidade ainda não projeta a produtividade do próximo ciclo devido às incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño. A expectativa indica recuperação mais forte da área após a redução registrada em 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima queda de 3,2% na área de algodão em 2025/26, para 2,02 milhões de hectares. Para 2026/27, a estatal trabalha preliminarmente com retomada para cerca de 2,09 milhões de hectares e produção de aproximadamente 4,15 milhões de toneladas de pluma. Mesmo com a redução da área, a safra 2025/26 alcançou produção recorde. A produtividade aumentou 4,9%, para 2.053 quilos de pluma por hectare, elevando a colheita para 4,14 milhões de toneladas, alta de 1,5% ante a temporada anterior.

A expectativa da Abrapa é de novo crescimento do volume produzido em 2026/27, com manutenção do Brasil na liderança mundial das exportações de algodão. O clima é o principal fator de incerteza para a definição das estimativas de produtividade da próxima safra. Os efeitos do El Niño sobre as lavouras ainda não podem ser dimensionados, embora a concentração da produção nas Regiões Centro-Oeste e Nordeste possa reduzir a exposição ao excesso de chuvas esperado principalmente no Sul. O cenário climático ainda envolve elevado grau de incerteza e deve ser acompanhado ao longo do desenvolvimento da safra. A Abrapa também identifica espaço físico para a continuidade da expansão da cultura nos próximos anos. Mais de 80% do algodão brasileiro é cultivado em regime de sequeiro, enquanto parcela relevante é implantada como 2ª safra, após a soja. O Centro-Oeste e o Nordeste concentram o maior potencial para incorporação de novas áreas.

Na Bahia, uma parcela importante da produção é irrigada e apresenta níveis elevados de produtividade e qualidade. A expansão da área ocorre, contudo, em um cenário de custos que exige cautela nas decisões de investimento. Entre os fatores de preocupação estão petróleo, fertilizantes, manutenção de equipamentos e outras despesas influenciadas pelas tensões geopolíticas. A rentabilidade deve permanecer como elemento central na gestão das propriedades e na definição de novos investimentos. No mercado internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta crescimento de 1,5% no consumo mundial de algodão em 2026/27. A produção global, por outro lado, deve recuar 4%, ampliando a diferença entre consumo e oferta. Brasil e Estados Unidos devem permanecer como os principais exportadores mundiais da fibra. Nesse cenário, a competitividade da cotonicultura depende não apenas da expansão da produção, mas também de eficiência, qualidade e sustentabilidade econômica.

Segundo o Itaú BBA, o Brasil pode registrar área recorde de algodão na safra 2026/27, mas a produção tende a recuar em relação ao ciclo atual. A projeção de produção é de 4,2 milhões de toneladas, queda de 5% ante as 4,4 milhões de toneladas estimadas para 2025/26 pelo Rally da Safra, da Agroconsult. A redução projetada decorre da expectativa de que a produtividade não se mantenha nos níveis excepcionalmente elevados observados na temporada atual. As projeções preliminares indicam que a área cultivada com algodão pode superar os 2,2 milhões de hectares registrados em 2024/25. A melhora das margens e da relação de troca com fertilizantes voltou a elevar a atratividade da cultura em relação a outras alternativas de 2ª safra, favorecendo a expansão da área plantada em 2026/27.

Mesmo com uma produção menor, o Itaú BBA projeta novo recorde para as exportações brasileiras de algodão, em 3,5 milhões de toneladas em 2026/27, volume 100 mil toneladas superior às 3,4 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior. O consumo doméstico é projetado em 700 mil toneladas, enquanto os estoques finais devem permanecer próximos de 3 milhões de toneladas. O cenário de aumento dos embarques é sustentado pela expectativa de crescimento do consumo mundial de algodão, combinado com disponibilidade interna e condições de preço que podem favorecer as exportações brasileiras. O principal fator de incerteza para a próxima safra é o clima, especialmente no algodão de 2ª safra. O cenário de maior adversidade envolve uma combinação de atraso no plantio da soja, em razão da irregularidade das chuvas no início da temporada, seguido por uma interrupção precoce das precipitações.

Essa configuração reduziria a janela disponível para a semeadura do algodão e aumentaria o risco de perda de produtividade. O risco climático é considerado maior para o algodão de 2ª safra do que para o cultivo semeado no verão. Em Mato Grosso, o ritmo de implantação da soja será determinante para a definição da janela disponível ao algodão. O Radar Agro do Itaú BBA considera previsão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) de influência do fenômeno El Niño pelo menos até abril de 2027. Caso o plantio da oleaginosa seja atrasado, o calendário do algodão poderá ser comprimido, limitando parte da expansão de área atualmente projetada para a safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.