23/Sep/2026
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) pretende levar ao Parlamento Europeu, em outubro, a defesa de maior espaço para as fibras naturais nas discussões sobre sustentabilidade da indústria têxtil. A iniciativa ocorre enquanto a União Europeia avança na elaboração de regras ambientais para o setor e busca ampliar o reconhecimento do algodão e de outros materiais naturais nas futuras normas aplicáveis aos produtos têxteis. A atuação da Abrapa ocorre em conjunto com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), que desde dezembro de 2024 integra a coalizão internacional Make the Label Count. O grupo reúne mais de 80 organizações de diferentes países e defende mudanças na metodologia utilizada pela União Europeia para avaliar o impacto ambiental de materiais têxteis.
Em 29 de junho, a coalizão encaminhou carta à Comissão Europeia solicitando que as futuras regras de ecodesign para o setor reconheçam materiais renováveis de origem sustentável e adotem critérios científicos e comparáveis na avaliação de diferentes fibras. A Abrapa participa do diálogo com formuladores de políticas públicas europeus sobre essa agenda. A discussão sobre fibras naturais também ganhou relevância diante da competição com materiais sintéticos, especialmente o poliéster. A Abrapa identifica uma oportunidade para ampliar o espaço do algodão não apenas na China, mas também na Europa, mercado que exerce influência relevante sobre as tendências globais da indústria de vestuário. A entidade relaciona a valorização das fibras naturais às preocupações ambientais e ao debate científico sobre microplásticos. A substituição de matérias-primas pela indústria, contudo, tende a ocorrer de forma gradual. Não há dados recentes apresentados pela Abrapa que permitam dimensionar eventual mudança na participação de algodão e poliéster na composição dos tecidos.
Atualmente, muitos produtos têxteis utilizam uma combinação de diferentes fibras, mantendo a presença de materiais sintéticos na indústria. A discussão tem impacto direto sobre o Brasil, já que menos de 30% do algodão produzido no País permanece no mercado doméstico. A promoção internacional da fibra brasileira é realizada pelo Cotton Brazil, iniciativa da Abrapa e da Anea com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com atuação principalmente nos grandes mercados consumidores da Ásia. Certificação, rastreabilidade, qualidade e capacidade de fornecimento são apontadas como diferenciais do algodão brasileiro na disputa por mercados internacionais. A combinação desses fatores amplia a capacidade do País de atender à demanda mundial em um cenário de maior atenção às características ambientais e à origem das fibras utilizadas pela indústria têxtil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.