ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

18/Sep/2026

Brasil: área pode renovar recorde na safra 2026/27

Segundo o Itaú BBA, a área plantada com algodão no Brasil pode voltar a crescer na safra 2026/27 e superar o recorde de 2,2 milhões de hectares registrado em 2024/25, diante da melhora das margens proporcionada pela recuperação das cotações internacionais e por uma relação de troca mais favorável com fertilizantes. Porém, a produção deve ser de 4,2 milhões de toneladas de pluma, queda de 5% ante as 4,4 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, devido à expectativa de produtividade menor. As condições econômicas da cultura melhoraram nos últimos meses, principalmente em Mato Grosso, principal produtor nacional. A margem agrícola estimada para o algodão de 2ª safra no Estado passou de cerca de 26% em abril para 38% em agosto. O avanço refletiu a valorização da pluma e a melhora da relação de troca com MAP, ureia e cloreto de potássio, reduzindo a quantidade de algodão necessária para a aquisição desses fertilizantes. Esse ambiente tende a influenciar a definição dos pacotes tecnológicos e das áreas de plantio para 2026/27.

Na Bolsa de Nova York, os contratos de algodão avançaram mais de 8% entre julho e a primeira metade de setembro, de uma média de 77,50 centavos de dólar por libra-peso para 84,00 centavos de dólar por libra-peso. Em Rondonópolis (MT), os preços domésticos aumentaram 6,4% no mesmo período, para R$ 4,04 por libra-peso. A valorização no Brasil foi menor que a observada na referência internacional em razão da entrada da nova safra, que elevou a oferta disponível e pressionou o diferencial entre os preços domésticos e externos. O balanço mundial também apresenta condições mais ajustadas. O Itaú BBA projeta produção global de 25,5 milhões de toneladas de algodão em 2026/27, abaixo do consumo estimado em 26,8 milhões de toneladas. O déficit de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas deve reduzir os estoques globais de 16,4 milhões para 15,2 milhões de toneladas. A combinação de produção inferior ao consumo, estoques menores e redução da safra norte-americana aumenta a sustentação das cotações e a sensibilidade do mercado a eventuais perdas adicionais de oferta.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a estimativa de produção de algodão de 2,96 milhões para 2,87 milhões de toneladas entre agosto e setembro, após piora das condições das lavouras e perdas de produtividade no Sudoeste e no Delta. Na semana encerrada em 13 de setembro, apenas 36% das áreas eram classificadas como boas ou excelentes, ante 52% um ano antes. No início de setembro, 59% das áreas estavam submetidas a algum grau de seca. A menor produção reduz a capacidade dos Estados Unidos de ampliar as exportações e abre espaço para outros fornecedores, especialmente o Brasil. O Brasil chega à temporada 2026/27 após exportar recorde de 3,4 milhões de toneladas de pluma no ano comercial 2025/26. Para o novo ciclo, o Itaú BBA projeta embarques de 3,5 milhões de toneladas. Em agosto, primeiro mês do ano comercial 2026/27, as exportações somaram 106,3 mil toneladas, alta de 37% ante igual mês do ano anterior. A composição dos mercados compradores também avançou.

A Índia respondeu por 26% das exportações brasileiras em agosto, seguida por Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia. A maior diversificação reduz a dependência da China e amplia a presença do Brasil nos principais centros asiáticos de consumo e transformação da fibra. O cenário externo, com menor oferta norte-americana e balanço mundial mais apertado, favorece a manutenção da competitividade brasileira. A eventual expansão da área, contudo, não implica necessariamente aumento da produção. O Itaú BBA trabalha com uma produtividade mais conservadora para 2026/27 após o desempenho elevado esperado para a safra atual. Em 2025/26, o Brasil cultivou aproximadamente 2,07 milhões de hectares, queda de 6,3%, mas deve colher recorde de 4,4 milhões de toneladas de pluma, favorecido por condições climáticas adequadas em fases importantes, maior participação de áreas irrigadas e avanços de manejo. Em Mato Grosso, a definição da área de algodão dependerá também da concorrência com o milho de 2ª safra e do calendário da soja. Um início irregular das chuvas pode atrasar a semeadura da oleaginosa e reduzir a janela disponível para o algodão plantado posteriormente.

Caso as precipitações se normalizem a partir de novembro, o produtor terá maior flexibilidade para ampliar a área. O El Niño representa outro fator de risco para a expansão. O fenômeno pode aumentar a irregularidade das chuvas em partes do Centro-Oeste e do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) durante o desenvolvimento das culturas de 2ª safra. Um cenário climático menos favorável poderia limitar parte do crescimento da área atualmente projetado para 2026/27, embora ainda seja prematuro dimensionar os efeitos sobre produtividade e produção. O ambiente internacional mais ajustado favorece a recuperação dos preços do algodão, mas a valorização tende a ocorrer de forma gradual, diante das limitações da demanda têxtil e da concorrência com fibras sintéticas. No mercado brasileiro, a oferta elevada e uma eventual expansão adicional da área podem limitar a transmissão das altas na Bolsa de Nova York aos preços ao produtor. A combinação de maior produção potencial e oferta doméstica elevada tende a manter o basis pressionado, enquanto o desafio para a cadeia será converter o avanço da produção e das exportações em margens mais favoráveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.