17/Sep/2026
O mercado de algodão chega à segunda metade de setembro com fundamentos internacionais mais ajustados, mas ainda sem reação firme no Brasil. A redução da produção global e dos estoques melhora a perspectiva para os preços, enquanto, no mercado físico brasileiro, a oferta recorde, a demanda têxtil fraca e a concentração dos agentes no cumprimento de contratos já firmados mantêm baixa a liquidez no mercado à vista. O aperto internacional foi reforçado pelo relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A produção mundial foi reduzida em 0,3% ante agosto e está projetada 3,8% abaixo da safra anterior. Para os Estados Unidos, a estimativa foi reduzida em 3%, para 2,874 milhões de toneladas, enquanto a projeção para o Brasil foi elevada em 1,4%, para 4,028 milhões de toneladas. O consumo global permanece 1,5% acima do ciclo anterior e supera a oferta projetada em 4,8%.
Com isso, a relação entre estoques e consumo recuou para 57%, ante 62% na temporada anterior. Nos Estados Unidos, as condições das lavouras melhoraram na última semana, com 36% da área classificada entre boa e excelente, avanço de 2 pontos porcentuais. O Texas, porém, continua no radar climático. Na China, episódios de calor, seca e eventos climáticos localizados reduziram o potencial produtivo em áreas de Xinjiang. A estimativa do Itaú BBA para a produção chinesa é de 7,3 milhões de toneladas, ante 7,8 milhões na safra anterior. O balanço global mais ajustado ainda não resultou em alta contínua na Bolsa de Nova York. A melhora recente das lavouras norte-americanas, a valorização do dólar e o recuo do petróleo limitam a recuperação das cotações. No Brasil, o Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra recuo de 0,96% na parcial de setembro.
A baixa liquidez decorre da concentração dos agentes no cumprimento de contratos a termo e de embarques, enquanto divergências entre compradores e vendedores quanto aos preços e à qualidade dos lotes restringem novos negócios no mercado à vista. A paridade Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 4,40 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,41 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR). Na parcial de setembro, a cotação doméstica está, em média, 0,1% abaixo desse referencial, em movimento associado à alta do Índice Cotlook A e à valorização do dólar frente ao Real. A elevada oferta brasileira permanece como principal contraponto ao quadro externo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa de produção de pluma em 2025/26 para o recorde de 4,144 milhões de toneladas, alta de 1,5% ante a temporada anterior.
O avanço foi sustentado pela produtividade média de 2.053 quilos por hectare, aumento de 4,9%, apesar da redução de 3,2% na área, para 2,02 milhões de hectares. Até 11 de setembro, a colheita nacional alcançava 95,6% da área. Para 2026/27, a Conab projeta leve aumento da produção, para 4,157 milhões de toneladas, com expansão de 3,7% da área, para 2,09 milhões de hectares, e redução de 3,2% no rendimento médio. A definição do plantio ainda depende do ritmo da semeadura da soja e da janela disponível para o algodão de 2ª safra, além da competição com o milho. O elevado investimento em maquinário específico reduz a velocidade de ajuste da área cultivada. As colheitadeiras de algodão têm utilização restrita à cultura, o que aumenta a necessidade de manutenção da atividade para diluir os investimentos realizados pelos produtores e limita mudanças rápidas no planejamento agrícola.
A demanda interna continua sendo o principal ponto de fragilidade. A procura por produtos manufaturados permanece contida, enquanto as vendas no varejo de tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,7% em julho ante junho e 4,7% na comparação anual. As importações de produtos têxteis e o consumo moderado limitam a absorção doméstica da pluma. Cerca de 82% da produção brasileira de pluma é destinada ao mercado externo. Para 2026/27, a Conab estima exportações de 3,411 milhões de toneladas e consumo interno de 735 mil toneladas, abaixo das 740 mil toneladas projetadas para 2025/26. O estoque final é estimado em 2,735 milhões de toneladas. Assim, apesar do balanço mundial mais ajustado, o mercado brasileiro permanece dependente do ritmo das exportações para absorver uma produção próxima do recorde e sustentar as cotações no mercado físico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.