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16/Sep/2026

Preços do algodão recuam no mercado doméstico

O ritmo de comercialização de algodão em pluma está enfraquecido nos últimos dias, visto que agentes estão concentrados no cumprimento de contratos a termo e de embarques e há baixo interesse em novas negociações no mercado spot. A perda de força dos primeiros contratos negociados na Bolsa de Nova York também desestimula as transações. Além disso, divergências entre compradores e vendedores quanto aos preços e/ou à qualidade dos lotes limitaram os fechamentos, que ocorreram de forma pontual. A demanda por produtos manufaturados permanece contida, enquanto as empresas concentram esforços na venda de seus produtos. No mercado de fios, há disputa por preços. Dados do IBGE mostram que, em julho/26, as vendas no varejo de tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,7% em relação a junho/26 e 4,7% em relação a julho/25. No acumulado de 2026, a queda é de 0,9% e, em 12 meses, de 1,4%. No mercado físico, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra recuo de 0,44% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,37 por libra-peso.

Na parcial de setembro, o Indicador acumula alta de apenas 0,24%. Na parcial deste mês, a cotação interna está, em média, 0,1% abaixo da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 4,40 por libra-peso (85,53 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,41 por libra-peso (85,74 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os quatro primeiros contratos são pressionados pela retração do petróleo no mercado internacional e pela valorização do dólar, fatores que tendem a desestimular a demanda pela fibra natural norte-americana. O contrato Outubro/26 registra baixa de 2,42% nos últimos sete dias; o Dezembro/26, 2,05%; o Março/27, 1,79%; e o Maio/27, 1,73%. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (15/09), a produção brasileira de algodão na temporada 2025/26 foi estimada em 4,144 milhões de toneladas, um recorde, 1,45% superior ao projetado no relatório anterior e 1,5% acima do registrado na safra passada.

O aumento decorre da revisão positiva da produtividade média, estimada em 2.053 Kg por hectare, altas de 1,44% frente ao levantamento anterior e de 4,9% em relação ao ciclo 2024/25. A área cultivada foi projetada em 2,02 milhões de hectares, estável em relação a agosto/26, mas 3,2% menor que a da temporada passada. Os reajustes mais significativos ocorreram na Bahia, onde a Conab elevou as estimativas de produtividade e de produção em 6,25% e 8,04%, respectivamente, em relação ao relatório anterior. Com isso, a produção passou a ser projetada em 931,5 mil toneladas, volume 10,2% superior ao da temporada 2024/25, enquanto a produtividade média foi estimada em 2.191 Kg de hectare, avanço de 7,1% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada deve somar 425,1 mil hectares, aumentos de 1,67% frente a agosto e de 2,9% ante a safra passada.

No campo, até o dia 11 de setembro, a colheita nacional alcançou 95,6% da área cultivada, avanço de 6,2% na semana e um percentual levemente inferior ao do mesmo período do ano passado, quando 96,6% da área já havia sido colhida. Para 2026/27, em relatório divulgado nesta terça-feira (15/09), a Conab projeta leve crescimento da área plantada, com possíveis ajustes condicionados às margens e à competição com soja e milho. A produção de algodão em pluma é estimada em 4,1567 milhões de toneladas, ante 4,1438 milhões em 2025/26. No quadro de oferta e demanda, a Conab projeta consumo interno de 735 mil toneladas, exportações de 3,411 milhões de toneladas e estoque final de 2,735 milhões de toneladas em 2026/27. Assim, a demanda externa deve continuar sendo a principal sustentação da cadeia, enquanto o câmbio, o consumo mundial e as condições climáticas tendem a influenciar os preços e a rentabilidade.

Dados divulgados em 11 de setembro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam produção mundial de algodão de 25,54 milhões de toneladas na safra 2026/27, 0,3% abaixo da projeção de agosto e 3,8% inferior à da safra anterior. Para o Brasil, o USDA elevou a estimativa em 1,4%, para 4,028 milhões de toneladas; para os Estados Unidos, reduziu-a em 3%, para 2,874 milhões de toneladas. Ainda assim, os volumes são 1,3% e 5% inferiores, respectivamente, aos registrados em 2025/26. O consumo mundial permaneceu estável na comparação mensal, em 26,763 milhões de toneladas, 1,5% acima do ciclo anterior e 4,78% superior à produção projetada. As transações globais foram reajustadas positivamente em 1%, para 9,63 milhões de toneladas. Na comparação com 2025/26, as importações mundiais devem recuar 1,8%, e as exportações, 3%. Para o Brasil, o USDA elevou a estimativa de exportação em 1,3% frente a agosto, mantendo-a nos mesmos níveis da temporada 2025/26. Os estoques mundiais foram estimados em 15,210 milhões de toneladas, 0,3% acima da projeção anterior, mas 7,2% abaixo dos da temporada passada.

Para os Estados Unidos, a estimativa de preço médio recebido pelo produtor na safra 2026/27 foi elevada para 78,00 centavos de dólar por libra-peso, 4% acima da estimativa de agosto (75,00 centavos de dólar por libra-peso). De forma geral, os dados de oferta e demanda apontam para um mercado mundial em que o consumo projetado supera a produção, ao mesmo tempo em que os estoques finais tendem a diminuir. No Brasil, porém, a elevada disponibilidade da safra 2025/26 e a perspectiva de produção ainda próxima do recorde mantêm o mercado doméstico bastante dependente do desempenho das exportações. No curto prazo, a combinação de comercialização pontual, demanda interna contida e foco nos embarques tende a limitar a reação dos preços, mesmo diante da melhora recente da paridade de exportação. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.