16/Sep/2026
A expansão das importações de produtos têxteis e o consumo doméstico moderado limitam a capacidade da indústria brasileira de absorver a produção de algodão, enquanto a cotonicultura mantém sua trajetória de crescimento apoiada principalmente pelo mercado externo. A concorrência com fibras e produtos têxteis importados, especialmente de origem asiática, reduz a capacidade de repasse do custo da matéria-prima pela indústria e mantém o mercado interno como ponto de maior atenção para a cadeia. Cerca de 82% da produção brasileira de pluma é destinada à exportação, o que torna o setor particularmente dependente do comportamento da demanda internacional, dos preços globais e da concorrência entre os principais fornecedores. A produção nacional mais que triplicou nos últimos dez anos, enquanto a área cultivada dobrou, movimento acompanhado pela abertura de novos mercados externos.
A pressão sobre a indústria têxtil também aparece nas perspectivas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27. As indústrias brasileiras vêm realizando compras mais pontuais de algodão diante da dificuldade de repassar o custo da matéria-prima aos produtos manufaturados, da concorrência dos importados e do consumo moderado de artigos têxteis. Esse comportamento limita o crescimento da demanda doméstica mesmo diante da maior oferta de pluma produzida no País. Os preços do algodão apresentam recuperação no mercado interno, com alta de 8,8% em 12 meses e de 4,2% nas últimas 13 semanas. A cotação está em torno de R$ 137,00 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 9,18 por quilo.
A valorização melhora as condições de remuneração do produtor, mas ocorre em um ambiente no qual a demanda doméstica permanece limitada e a comercialização depende fortemente do mercado externo. A resposta da oferta de algodão às oscilações de preços também é mais limitada do que em outras culturas em razão do elevado custo e da especificidade do maquinário utilizado na produção. A colheitadeira empregada na cotonicultura possui uso restrito, o que reduz a flexibilidade do produtor para substituir a cultura por outras alternativas agrícolas diante de alterações de rentabilidade. Esse fator contribui para manter a área de algodão relativamente vinculada à estrutura de investimentos já realizada nas propriedades.
Para a safra 2026/27, a Conab estima produção de 4,16 milhões de toneladas de algodão em pluma, aumento de 0,3% ante as 2025/26. A área cultivada deve crescer 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 1.986 quilos por hectare, queda de 3,2%. A redução do rendimento ocorre sobre uma base elevada, devido à produtividade recorde registrada na temporada anterior. As exportações são estimadas em 3,41 milhões de toneladas na nova safra, praticamente estáveis ante as 3,42 milhões de toneladas projetadas para 2025/26. O consumo interno deve recuar de 740 mil para 735 mil toneladas, enquanto os estoques finais são estimados em 2,74 milhões de toneladas, nível considerado confortável.
A perspectiva para 2026/27 é de manutenção da demanda externa como principal sustentação da cotonicultura brasileira. O comportamento do câmbio, o consumo mundial, as condições climáticas e a competição por área com soja e milho serão determinantes para o ritmo de expansão da produção e para a rentabilidade do produtor. Com o mercado doméstico limitado pela concorrência dos produtos importados, a capacidade de colocação da pluma no exterior continuará sendo um dos principais fatores para o equilíbrio da cadeia brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.