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10/Aug/2026

Girassol Agrícola: eucalipto ganha espaço sobre grãos

A Girassol Agrícola, sementeira de Rondonópolis (MT), está ampliando a área de eucalipto diante de margens mais apertadas no cultivo de grãos e da perspectiva de maior retorno com a floresta plantada. A empresa, que atua há mais de 40 anos na comercialização de sementes de soja e algodão, possui atualmente 30 mil hectares de soja, 17 mil hectares de milho, 4 mil hectares de algodão e 10,5 mil hectares de eucalipto. A meta é ampliar a área florestal para 14 mil hectares nos próximos anos, com resultados adicionais esperados a partir de 2027.

A companhia encerrou 2025 com faturamento superior a R$ 1 bilhão e projeta repetir esse resultado em 2026, mesmo diante da estabilidade dos preços das commodities. Segundo a empresa, cada hectare de eucalipto proporciona retorno próximo ao dobro do obtido com a soja no mesmo período, apesar da necessidade de maior investimento inicial e do ciclo mais longo até a geração de receita. A expansão florestal também busca atender ao aumento da demanda por biomassa das usinas de etanol de milho de Mato Grosso, que utilizam madeira como combustível para a secagem de grãos e a geração de energia.

O Estado consumiu 6,2 milhões de toneladas de biomassa no último ciclo, volume que deve alcançar 10 milhões de toneladas até 2030. A partir de 2035, Mato Grosso não poderá mais utilizar madeira proveniente de desmatamento para essa finalidade, elevando a necessidade de oferta de florestas plantadas. Atualmente, a maior parte do cavaco produzido pela Girassol Agrícola é destinada à FS. A ampliação da área própria de eucalipto busca contribuir para o atendimento dessa demanda e reduzir a dependência de fontes de biomassa com menor disponibilidade futura. Para implantar os próximos 4 mil hectares de floresta, a Girassol estima investimento de R$ 80 milhões, com retorno previsto em aproximadamente sete anos.

A empresa participa de estudo com o Itaú BBA para avaliar instrumentos de financiamento específicos para florestas plantadas, considerando que o ciclo de produção do eucalipto é mais longo e não se enquadra adequadamente nas linhas tradicionais de custeio agrícola. A receita gerada pela floresta própria também apresenta trajetória de crescimento. O faturamento com a atividade somou R$ 80 milhões em 2025 e deve alcançar R$ 100 milhões em 2026 e R$ 150 milhões em 2027. A estratégia amplia a diversificação das fontes de receita da companhia e busca elevar a rentabilidade do uso da terra em um cenário de maior pressão sobre as margens dos grãos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.