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05/Aug/2026

Preços do algodão em alta no mercado doméstico

Após a queda observada em junho, a cotação do algodão em pluma no mercado doméstico registrou recuperação em julho, com intensificação das altas na segunda quinzena. A recuperação dos preços esteve atrelada principalmente à postura firme dos vendedores, sustentada pelos preços mais altos no mercado internacional, pela oferta restrita de lotes de qualidade superior e pela necessidade imediata de parte dos compradores. Esse cenário ocorre em um momento em que a colheita e o beneficiamento estão em ritmo lento no Brasil e o saldo remanescente da safra 2024/25 de melhor qualidade permanece limitado. Do lado da demanda, a indústria mantém postura cautelosa diante do desempenho ainda lento das vendas de manufaturados. Além disso, os vendedores passam a priorizar o embarque dos contratos a termo à medida que a disponibilidade da safra nova aumenta gradualmente.

Entre 30 de junho e 31 de julho, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, pagamento em 8 dias, avançou 1,96%, encerrando o dia 31 de julho a R$ 4,20 por libra-peso, o maior valor nominal desde 5 de junho de 2026 (R$ 4,22 por libra-peso). Considerando-se apenas os últimos sete dias, a alta é de 1,61%. Vale lembrar que o Indicador recuou em boa parte do mês passado, e, até o dia 21 de julho, a baixa acumulada era de 2,41%. Em julho, a cotação interna permaneceu, em média, 4% acima da paridade de exportação, completando o sétimo mês consecutivo em que o mercado doméstico apresentou maior remuneração. Apesar da recuperação observada na segunda quinzena, a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,10 por libra-peso em julho, baixa de 1,01% em relação à média de junho/26. Na comparação com julho de 2025, a retração real foi de 3,71% (valores deflacionados pelo IGP-DI de junho/26).

Em dólar, a média à vista do Indicador foi de 80,11 centavos de dólar por libra-peso em julho, 2,8% acima da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York, de 77,95 centavos de dólar por libra-peso, mas ainda 9,7% abaixo da média de 88,70 centavos de dólar por libra-peso do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. Entre 30 de junho e 31 de julho, a paridade de exportação (FAS) acumulou alta de 2,2%, encerrando o mês passado em R$ 3,91 por libra-peso (77,12 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e em R$ 3,92 por libra-peso (77,33 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, entre 30 de junho e 31 de julho, o contrato Outubro/26 avançou 7,35%; o Dezembro/26, 2,82%; o Março/27, 6,68%; e o Maio/27, 6,66%.

Relatório divulgado em 30 de julho pelo Cotton Outlook projeta a produção mundial de algodão em 25,24 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 1,57% inferior à estimativa de junho e 5,6% menor que o previsto para 2025/26 (26,733 milhões de toneladas). A redução decorre de estimativas de produção menores para alguns dos principais países produtores, como China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. Para o Brasil, a projeção de produção da safra 2026/27 foi mantida em 3,75 milhões de toneladas. Para a temporada 2025/26, houve revisão positiva de 2,14% entre junho e julho, elevando a estimativa para 4,06 milhões de toneladas. O consumo mundial foi projetado em 26,38 milhões de toneladas para 2026/27, crescimento de 0,88% frente ao relatório de junho, mas recuo de 0,62% em relação à safra anterior. Dessa forma, a demanda global deve superar a oferta em aproximadamente 4,55%. No Brasil, o consumo interno pode avançar 2,08%, alcançando 735 mil toneladas na temporada 2026/27. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.