01/Jul/2026
Depois de subir por quatro meses consecutivos, a cotação do algodão em pluma no mercado interno perdeu força. A pressão exercida por compradores e o enfraquecimento das cotações internacionais influenciam esse movimento, favorecendo uma postura mais flexível por parte de alguns vendedores. Do lado comprador, as indústrias permanecem cautelosas quanto a novas aquisições, diante das dificuldades nas vendas de manufaturados e no repasse de custos ao longo da cadeia produtiva. Além disso, parte da necessidade de matéria-prima continua sendo atendida por estoques e/ou por contratos a termo firmados anteriormente, reduzindo a urgência de novas compras, que ocorrem apenas de forma pontual. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em abril/26 (informações mais recentes), as vendas no varejo de tecidos, vestuário e calçados permaneceram enfraquecidas.
Na comparação com março/26, houve leve recuo de 0,1%, e, em relação a abril/25, a queda foi de 2,5%. No acumulado de 2026, as vendas registram retração de 1%, e, no acumulado dos últimos 12 meses, de 0,2%. Pelo lado da oferta, as dificuldades relacionadas à aprovação da qualidade dos lotes disponibilizados continuam limitando o avanço das negociações. Ao mesmo tempo, parte dos vendedores passou a flexibilizar suas exigências para viabilizar novos fechamentos. Ainda assim, compradores mantiveram as ofertas em patamares inferiores aos valores solicitados, reforçando a pressão sobre as cotações. Enquanto isso, alguns produtores permanecem atentos às condições climáticas e ao desempenho das lavouras, aguardando o avanço da colheita para retomar as negociações. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apesar das variações climáticas e do avanço irregular da colheita entre os estados, as perspectivas gerais permanecem favoráveis à produtividade e à qualidade da fibra.
Nesse cenário, entre 29 de maio e 29 de junho, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registrou queda de 4,29%, cotado a R$ 4,09 por libra-peso. Considerando-se apenas os últimos sete dias, o recuo é de 0,52%. Ainda assim, em junho, a cotação interna permaneceu, em média, 7,7% acima da paridade de exportação, marcando o sexto mês consecutivo de vantagem para o mercado doméstico e a maior diferença desde julho/25, quando superou a paridade em 8,4%. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,15 por libra-peso em junho, retração de 1,64% frente à média de maio/26. Em relação a junho do ano anterior, contudo, houve queda real de 7,29%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de maio/26.
Em dólar, a média à vista do Indicador foi 80,71 centavos de dólar por libra-peso em junho, 9,1% acima do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York, de 74,00 centavos de dólar por libra-peso, mas ainda 6,6% abaixo da média de 86,38 centavos de dólar por libra-peso do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,85 por libra-peso (74,53 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,86 por libra-peso (74,74 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, entre 29 de maio e 29 de junho, o contrato Julho/26 caiu 5,45%; o Outubro/26, 4,33%; o Dezembro/26, 0,90%; e o Março/27, 3,62%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.