25/Jun/2026
O mercado global de algodão deve seguir sem impulso consistente de alta em 2026/27, mesmo diante de um cenário de ajuste entre oferta e demanda. A persistência da inflação e a redução do poder de compra em diversos mercados continuam limitando o consumo de produtos têxteis, mantendo o viés de demanda contida. No curto prazo, o comportamento dos preços é influenciado pela melhora das lavouras nos Estados Unidos, pela valorização do dólar e pela queda do petróleo, fator que reduz a competitividade do algodão frente às fibras sintéticas. Apesar disso, o Brasil mantém ritmo elevado de embarques, com exportações em trajetória de recorde em junho, enquanto os preços internos recuam diante da maior disponibilidade de pluma. O Indicador do algodão do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), com pagamento em 8 dias, registra recuo de 4,51% em junho.
A ampla oferta doméstica e a necessidade de escoamento da produção seguem sustentando o ritmo de exportações, mesmo no período de entressafra. No mercado interno, a postura cautelosa de compradores, diante de vendas lentas de produtos têxteis, limita a recuperação das cotações. Do lado vendedor, agentes com estoques da safra 2024/25 têm mostrado maior flexibilidade nas negociações para acelerar a liquidez. O preço interno permanece cerca de 9% acima da paridade de exportação, marcando o sétimo mês consecutivo de vantagem doméstica. A pressão adicional vem das condições das lavouras norte-americanas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 53% da safra está em condição boa ou excelente no dia 21 de junho, alta de 3% na semana e acima dos 47% registrados no mesmo período do ano anterior. O plantio alcançou 92% da área prevista, abaixo da média histórica de 94%.
O cenário macroeconômico também influencia o mercado. O dólar mais forte reduz a competitividade das commodities agrícolas norte-americanas, enquanto a queda do petróleo Brent para US$ 73,43 por barril pressiona as fibras naturais ao favorecer substitutos sintéticos derivados do petróleo. No Brasil, os embarques de algodão somaram 146,8 mil toneladas nos primeiros 14 dias úteis de junho, com média diária de 10,49 mil toneladas, avanço de 57,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Mantido o ritmo, as exportações podem atingir cerca de 220 mil toneladas no mês, estabelecendo novo recorde para junho. No acumulado da safra 2025/26, os embarques já superam 3,1 milhões de toneladas, volume 11% superior ao total exportado em toda a safra anterior. O desempenho reforça a posição do Brasil como principal exportador global da pluma.
O Rabobank projeta produção brasileira próxima de 4 milhões de toneladas em 2025/26, segunda maior da história, sustentada por alta produtividade mesmo com redução de área plantada. Para 2026/27, o banco estima queda de 5% na produção global e alta de 1,5% no consumo, o que poderia reduzir estoques, mas sem força suficiente para impulsionar de forma significativa os preços, diante de um ambiente macroeconômico ainda adverso. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a comercialização da safra 2025/26 atingiu 72%, acima da média de cinco anos, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A colheita já começou na Bahia e em Mato Grosso do Sul, enquanto avança nas próximas semanas no Centro-Oeste. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.