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24/Jun/2026

Preços do algodão em baixa no mercado doméstico

A ampla disponibilidade de algodão em pluma no Brasil e a necessidade de escoamento do excedente produtivo vêm mantendo o ritmo de exportações forte mesmo durante a entressafra. Ao longo das últimas safras, o País consolidou sua capacidade de abastecer o mercado internacional de forma contínua ao longo do ano, diferentemente do padrão observado anteriormente, quando os embarques se concentravam no segundo semestre. Como resultado, as exportações brasileiras passaram a apresentar maior regularidade, alcançando recordes mensais inclusive em meses tradicionalmente marcados pela menor disponibilidade da pluma.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 146,8 mil toneladas nos 14 primeiros dias úteis de junho/26. Embora esse volume ainda esteja 49,6% abaixo do registrado em maio/26, já supera em 10,6% o total embarcado em todo o mês de junho/25. A média diária atingiu 10,49 mil toneladas, expressivos 57,9% acima das 6,64 mil toneladas observadas no mesmo período do ano passado. Se mantido o ritmo atual, as exportações podem alcançar cerca de 220 mil toneladas em junho, um novo recorde para o mês e superando com folga as 160,4 mil toneladas registradas em junho de 2024, até então o maior volume da série histórica da Secex para esse período.

Na parcial da safra 2025/26 (de agosto/25 até a terceira semana de junho/26), os embarques já ultrapassaram 3,1 milhões de toneladas, volume 11% superior ao total exportado em toda a safra passada (de agosto/24 a julho/25). Considerando-se apenas o ano civil (de janeiro até a parcial de junho/26), o Brasil exportou 1,74 milhão de toneladas, também conforme a Secex. Quanto aos preços, a média das exportações na parcial de junho/26 está em 72,81 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 4% frente à média de maio/26 e apenas 0,2% inferior à observada em junho/25. Em moeda nacional, a média equivale a R$ 3,72 por libra-peso, 10,9% inferior à praticada no mercado spot doméstico, de R$ 4,17 por libra-peso.

Apesar da recente recuperação das cotações internacionais, os preços internos do algodão em pluma estão enfraquecidos. Os compradores seguem cautelosos nas aquisições, diante do ritmo lento de comercialização de seus produtos, enquanto os vendedores com interesse em liquidar os volumes remanescentes da safra 2024/25 mostraram-se mais flexíveis nas negociações. Ainda assim, parte das transações foi limitada pelos preços ofertados pelos demandantes e/ou pela dificuldade de aprovação dos lotes disponíveis. Nesse cenário, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em 8 dias) registra recuo de 1,08% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,11 por libra-peso.

Na parcial de junho, a retração acumulada é de 3,79%. Mesmo assim, a cotação interna permanece, em média, 9% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,96 por libra-peso (77,01 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,97 por libra-peso (77,22 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, nos últimos sete dias, o contrato Julho/26 registra avanço de 2,42%; o Outubro/26, 3,44%; e o Março/27, 3,01%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.