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18/Jun/2026

Nova safra deve pressionar cotações domésticas

O mercado de algodão passa por um período de acomodação, com recuo dos preços no mercado brasileiro, liquidez restrita e expectativa de aumento da oferta com a entrada da nova safra. No cenário internacional, porém, o fortalecimento dos riscos climáticos nos Estados Unidos e a perspectiva de um balanço global mais apertado continuam oferecendo sustentação às cotações. Na parcial de junho, o Indicador Cepea/Esalq para o algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, acumula queda de 0,88%, a R$ 4,16 por libra-peso, elevando a retração acumulada na primeira quinzena de junho para 2,74%. Apesar da trajetória negativa, os preços domésticos permaneceram em patamar superior à paridade de exportação. Na primeira metade de junho, a cotação interna registrou prêmio médio de 10,3% sobre a paridade, comportamento observado pelo sexto mês consecutivo.

O mercado físico segue operando com baixa liquidez. Parte dos vendedores mantém posição firme nas negociações, enquanto outros aproveitam o período para comercializar volumes remanescentes da safra 2024/25. Ao mesmo tempo, lotes da safra 2025/26 começam a chegar ao mercado disponível, principalmente oriundos de São Paulo e Bahia. Do lado da demanda, as indústrias buscam adquirir matéria-prima a preços mais baixos, refletindo o desempenho limitado das vendas de produtos têxteis. Os comerciantes seguem atuando de forma pontual, por meio de operações casadas. No mercado internacional, o principal fator de sustentação das cotações é a deterioração das condições das lavouras norte-americanas. O relatório semanal de acompanhamento de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que 51% das lavouras apresentam condições boas ou excelentes, redução de 2% em relação à semana anterior.

As preocupações climáticas concentram-se especialmente no Texas, principal região produtora dos Estados Unidos. As projeções meteorológicas indicam predomínio de clima seco no oeste do Texas e na região do Panhandle, enquanto a porção leste do Estado até a Georgia deverá receber volumes elevados de precipitação. No ambiente macroeconômico, o petróleo WTI permanece próximo de US$ 76,55 por barril após os movimentos recentes associados ao acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. As projeções para a temporada 2026/27 indicam um cenário global de suporte aos preços. As estimativas apontam produção mundial de 25,3 milhões de toneladas, queda de 5% em relação ao ciclo anterior. O consumo global é projetado em 26,5 milhões de toneladas, volume 4,93% superior à oferta. Os estoques finais são estimados em 15,5 milhões de toneladas, o menor nível dos últimos seis anos.

Outro fator potencialmente favorável ao algodão é a competitividade frente ao poliéster. A manutenção de preços elevados do petróleo pode aumentar a atratividade relativa da fibra natural e estimular a demanda global. No Brasil, entretanto, a entrada da nova safra tende a exercer pressão sobre os preços físicos nos próximos meses. O aumento da disponibilidade de produto deverá influenciar os prêmios de comercialização, especialmente entre julho e agosto, período de aceleração da colheita. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que apenas 1,4% da área havia sido colhida até 11 de junho. A produção brasileira de algodão da safra 2025/26 está estimada em 3,978 milhões de toneladas, volume 2,5% inferior ao registrado na temporada anterior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.