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17/Jun/2026

Preços do algodão em baixa no mercado doméstico

Os preços do algodão em pluma continuam em baixa no mercado doméstico, mas ainda apresentam vantagem quando comparados à paridade de exportação. Esse cenário se repete pelo sexto mês consecutivo. Enquanto alguns vendedores se mostram capitalizados e focados no cumprimento dos contratos a termo, mantendo-se firmes em suas posições, outros aproveitaram para liquidar o saldo remanescente da temporada 2024/25. Com a redução dos preços internacionais, parte dos agentes também adota uma postura mais flexível, em busca de novas negociações. Vale destacar ainda que lotes da safra 2025/26 já começam a chegar ao mercado spot, com destaque para origens de São Paulo e da Bahia. Do lado da demanda, as indústrias ainda buscam adquirir a matéria-prima a valores inferiores, fundamentados no baixo desempenho de suas vendas. Comerciantes, por sua vez, realizam fechamentos pontuais diante de uma postura cautelosa, buscando negócios “casados”.

O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em 8 dias) registra retração de 0,88% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,16 por libra-peso. Na primeira quinzena de junho, o Indicador registra baixa de 2,74%. Ainda assim, na parcial do mês, a cotação interna está, em média, 10,3% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS), é de R$ 3,73 por libra-peso (73,57 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,74 por libra-peso (73,78 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, nos últimos sete dias, o contrato Julho/26 registra leve alta de 0,05% e o Outubro/26, de 0,25%. O vencimento Dezembro/26 tem recuo de 0,69%, e o Março/27, de 0,95%.

Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de algodão na temporada 2025/26 está estimada em 3,978 milhões de toneladas, elevação de 0,13% frente ao relatório anterior, mas ainda 2,5% menor que o da safra anterior. A produtividade média está estimada em 1.969 Kg por hectare, que, embora ainda seja inferior à de 2024/25 (-0,6%), teve reajuste positivo de 1,1% se comparado ao mês anterior. A área cultivada foi projetada em 2,02 milhões de hectares, com recuos de 0,96% frente ao levantamento anterior e de 3,1% em relação ao ciclo passado. Para a Bahia, a Conab elevou as estimativas de produtividade e de produção em 3,3% frente aos dados de maio/26. Sendo assim, na comparação com a safra anterior, a produção estadual deve aumentar 2%, para 862,2 mil toneladas, e a produtividade esperada está em 2.062 Kg por hectare, praticamente em linha (+0,8%) com a registrada em 2024/25.

Em junho, a projeção para a safra 2025/26 em Mato Grosso foi reduzida em relação a maio, com a área estimada passando de 1,41 para 1,393 milhão de hectares, e a produção, de 2,753 para 2,72 milhões de toneladas, quedas de respectivos 1,24% e 1,16%. Na comparação com a safra 2024/25, a área cultivada deve recuar 4,7%, enquanto a produtividade permanece praticamente inalterada na safra 2025/26 (1.953 Kg por hectare frente a 1.951 Kg por hectare). Com isso, o volume produzido no Estado pode ser 4,6% inferior ao da safra anterior, refletindo principalmente a redução da área semeada no mesmo comparativo, de 4,7%. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de algodão na safra 2026/27 continua estimada em 25,266 milhões de toneladas, 5,4% inferior ao da temporada anterior. O consumo global deve atingir 26,511 milhões de toneladas, altas de apenas 0,1% no mês e de 1,4% com relação à safra 2025/26, uma vez que o maior consumo da China mais do que compensa a menor demanda do Bangladesh e do Paquistão.

Assim, o consumo mundial tende a ficar 4,93% acima da oferta. As transações globais foram revisadas para baixo, em 0,1%, totalizando 9,432 milhões de toneladas na safra 2025/26, com recuos de 0,9% nas importações e de 2,4% nas exportações. Os estoques mundiais devem alcançar 15,487 milhões de toneladas, com baixas de 1% no mês e de 7,2% no ano, e o menor volume desde 2019/20. Os menores estoques em Bangladesh, Brasil, China, Paquistão e Estados Unidos se sobrepõem aos maiores volumes na Índia e no Vietnã. Para o Brasil, especificamente, o USDA aponta estoque de 862 toneladas, com redução de 7% se comparado com os dados de maio/26 e baixa de 18,4% frente à safra 2025/26. O preço médio ao produtor norte-americano permanece estimado em 73,00 centavos de dólar por libra-peso, alta de 15,87% em relação à safra 2025/26 (63,00 centavos de dólar por libra-peso). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.