07/May/2026
O mercado brasileiro de algodão voltou aos níveis mais altos de preços desde julho de 2025, sustentado pelo ritmo forte das exportações e por um ajuste gradual no balanço global de oferta e demanda. No curto prazo, porém, o avanço encontra limites na volatilidade do petróleo e na evolução do plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos. Os preços do algodão em pluma seguiram em alta no mercado interno brasileiro em abril, movimento sustentado principalmente pelo bom desempenho das exportações, que tem contribuído para reduzir os estoques domésticos. Apesar da valorização, a liquidez continua restrita. A resistência vendedora, com ofertas a valores superiores, restringe o fechamento de novos negócios, enquanto indústrias priorizam o uso de estoques e o cumprimento de contratos a termo.
Esse ambiente mantém negociações pontuais, mesmo com compradores mais ativos. No cenário internacional, a alta recente reflete sobretudo um processo de reequilíbrio da oferta. O movimento está mais ligado à redução de área em grandes produtores do que a fatores financeiros. Essa valorização está muito mais associada a um ajuste de balanço global. Cortes de área no Brasil, China e Austrália, além de perspectiva de menor produção nos Estados Unidos, sustentam esse novo patamar de preços. O petróleo influencia, mas não define o mercado. Esse repasse não é direto em momentos de choque, porque tende a ser inflacionário e não necessariamente positivo para o consumo. A sustentação adicional depende de clima. Qualquer problema no Texas (EUA) ou na China pode trazer mais suporte.
Na Bolsa de Nova York, os preços refletem essa combinação de fatores: variáveis externas no curto prazo e queda do petróleo, que reduz a competitividade do algodão frente às fibras sintéticas, enquanto o avanço do plantio nos Estados Unidos limita prêmios de risco. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a semeadura da safra 2026/27 atingiu 21% da área prevista até o dia 3 de maio, acima da média histórica de 19%. Mesmo assim, os fundamentos seguem firmes. Em abril, o Indicador Cepea/Esalq teve média de R$ 3,99 por libra-peso, alta de 9,27% sobre março, enquanto a cotação interna ficou, em média, 6,6% acima da paridade de exportação. O avanço acompanhou a valorização do Índice Cotlook A, referência internacional da pluma, e reforçou a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
As exportações se mantêm como principal vetor de sustentação. Em abril, os embarques brasileiros atingiram volume recorde para o mês, com cerca de 370 mil toneladas, mantendo o Brasil como principal fornecedor global. Na parcial da safra 2025/26, os volumes já superam 2,6 milhões de toneladas, indicando forte demanda externa. No mercado global, o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac) projeta produção de 25,9 milhões de toneladas em 2026/27, com consumo de 25,2 milhões de toneladas. O leve superávit mantém os estoques elevados, estimados em 17,95 milhões de toneladas, o maior nível em sete safras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.