06/May/2026
Os preços do algodão em pluma seguiram em alta no mercado interno brasileiro em abril, com as médias mensais em elevação pelo quinto mês consecutivo e retornando aos maiores patamares nominais desde julho de 2025. O movimento segue ancorado, sobretudo, no bom desempenho das exportações, que tem contribuído para o enxugamento dos estoques domésticos, sustentando as cotações mesmo diante de oscilações pontuais no mercado externo. Adicionalmente, a valorização do petróleo ao longo dos últimos meses reforçou o suporte às cotações internacionais, com reflexos positivos sobre os preços internos. No mercado doméstico, a liquidez permaneceu limitada em abril, refletindo a combinação de disparidades de preço e/ou qualidade com a postura cautelosa dos agentes. Indústrias priorizam o consumo de estoques e o cumprimento de contratos a termo, enquanto comerciantes concentram-se em negociações “casadas” e aquisições pontuais para atender programações previamente estabelecidas. Ainda que parte dos compradores tenha elevado suas ofertas, a resistência vendedora, com ofertas a valores superiores, restringe o fechamento de novos negócios.
Do lado da oferta, produtores mantêm atenção ao desenvolvimento das lavouras, mas seguem direcionando esforços logísticos para o cumprimento de embarques tanto ao mercado interno quanto ao externo. O Indicador CEPEA/ESALQ, pagamento em 8 dias do algodão em pluma, subiu 5,74% no acumulado de abril, encerrando a R$ 4,14 por libra-peso no dia 30 de abril, o maior valor nominal desde 25 de julho de 2025. O avanço foi mais intenso na segunda quinzena, quando os preços subiram 4,15%, frente a 1,52% na primeira metade do mês. Nos últimos sete dias, o Indicador registra avanço de 0,38%, cotado a R$ 4,12 por libra-peso. A paridade de exportação também influenciou as altas em abril. A cotação interna ficou, em média, 6,6% acima da paridade no mês, a maior vantagem para o mercado doméstico desde agosto de 2025. Ainda assim, os preços no Brasil permanecem 5,02% inferiores aos de abril de 2025, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de março/26). A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 3,99 por libra-peso em abril/26, avanço de 9,27% frente a março.
Em dólar, a média atingiu 79,22 centavos de dólar por libra-peso, 5,5% acima do primeiro vencimento na Bolsa de Nova York, mas ainda 7,9% abaixo do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. Além do aumento registrado nos últimos dias, entre 31 de março e 30 de abril, a paridade de exportação (FAS), registrou aumento de 6,8%, chegando a R$ 3,85 por libra-peso (77,79 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e a R$ 3,86 por libra-peso (78,01 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR). O avanço refletiu a alta de expressivos 11,7% do Índice Cotlook A no mês passado, que ficou em 89,05 centavos de dólar por libra-peso no dia 30 de abril, mas aumentou ainda mais no dia 4 de maio, chegando a 92,05 centavos de dólar por libra-peso, o maior valor nominal desde 11 de abril de 2024 (92,15 centavos de dólar por libra-peso). O dólar, por sua vez, teve desvalorização de 4,51% frente ao Real em abril, cotado a R$ 4,95 no último dia útil do mês.
Na Bolsa de Nova York, os primeiros vencimentos seguem em alta, impulsionados pela valorização do petróleo no mercado internacional e pela desvalorização do dólar, o que tende a estimular a demanda pela fibra natural norte-americana. Além disso, o clima seco em regiões de cultivo dos Estados Unidos também contribui para sustentar os valores. Assim, entre 31 de março e 30 de abril, o contrato Maio/26 aumentou expressivos 14,09%, o Julho/26 subiu 13,96%, o Outubro/26 registrou alta de 12,26% e o Dezembro/26 avançou 13,96%. Dados mais recentes do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac) apontam área mundial 2026/27 em 30,17 milhões de hectares, estável frente ao relatório anterior, mas com retração de 1% em relação à safra passada. A produtividade, por sua vez, foi ajustada positivamente em 4,02% no mês, podendo ficar 1,32% maior que a de 2025/26, para 858,76 Kg por hectare. Assim, a produção global é projetada em 25,908 milhões de toneladas, 4,01% acima dos dados de abril/25 e apenas 0,30% superior à temporada passada, mas o maior volume desde a safra 2019/20, quando chegou a 26,036 milhões de toneladas.
O consumo mundial deve ser de 25,258 milhões de toneladas, com elevação de 0,80% no mês, mas leve retração de 0,44% frente à temporada 2025/26, ficando 2,5% abaixo da oferta. As exportações são estimadas em 9,59 milhões de toneladas (-0,57% no mês e -2,69% na comparação anual), com o Brasil liderando as vendas, seguido pelos Estados Unidos e pela Austrália. Bangladesh, por sua vez, deve continuar como o maior importador mundial, com 1,8 milhão de toneladas, seguido por China, Vietnã, Paquistão e Turquia. Os estoques finais são estimados em 17,950 milhões de toneladas, 3,75% superiores aos da safra anterior, após a significativa alta de 10,58% no comparativo mensal, chegando ao maior nível em sete safras. Quanto aos preços, o Icac apontou, no relatório de maio/25, que, na safra 2025/26, a média do Índice Cotlook A foi de 78,00 centavos de dólar por libra-peso, variando entre 73,00 centavos de dólar por libra-peso e 84,00 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.